domingo, 8 de novembro de 2009

Expulsão é incompatível com ambiente da universidade


A expulsão pela Uniban da estudande Geyse Villa Nova Arruda é a decisão apropriada para uma universidade que desde o início do incidente não soube se comportar de forma decente diante de um caso grave. Sua postura - com o perdão do plágio - “é incompatível com o ambiente da universidade” brasileira.

Logo que o caso se revelou na mídia, o esforço foi para retirar as imagens que estavam na internet temendo repercussão negativa à Uniban, gesto inútil e burro de censura. Quis conter o tsunami de informação gerado pelos próprios alunos a partir de seus telefones celulares.

Impossibilitada de tomar tal atitude, retira a menina da universidade. Além disso afasta temporariamente alguns alunos - não informa quantos nem quais -, e se contradiz pois sai em defesa dos agressores, aqueles que o reitor entende serem os “defensores do ambiente escolar”. Também eram assim tratados os que ofereciam suporte as ideias racistas que marcaram a sociedade americana no passado nos Estados favoráveis a segregação ou que atenderam o chamado de ditadores facínoras como Hitler e Mussolini.

Coube à mídia um capítulo especial na nota de explicações da Uniban. Teríamos perdido a oportunidade de contribuir para um debate sério e equilibrado sobre ética, juventude e universidade. Generaliza na crítica e não leva em consideração entrevistas com profissionais de educação, sociologia e comportamento humano que foram ao ar nas duas últimas semanas. Talvez porque os diretores da universidade se pautem apenas pelos programas sensacionalistas dos quais sejam parte da audiência.

Lendo os valores da Uniban, divulgados em seu site, descobrimos que a intenção é “propiciar tratamento justo a todos, valorizando o trabalho em equipe, o alto grau de sinergia e integração, estimulando um excelente ambiente humano de trabalho”. Devem ter interpretado que os estudantes que fizeram coro ofensivo contra a estudante trabalhavam em equipe, em um alto grau de sinergia e integração.

Uma nota sobre Geyse: mesmo vítima, dá sinais de deslumbramento com o assédio da mídia, seu discurso de constrangimento não combina com seu desejo de aparecer - seja em programas de televisão seja na primeira página dos jornais -, além de demonstrar satisfação no papel de fugaz celebridade.

Faz parte desta mesma moeda sem valor que circula na Uniban e na maioria das universidades brasileiras.

Leia “Saia Justa na Uniban” escrito por Carlos Magno Gibrail

Do Blog do Milton Jung

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