segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Empresa prevê 'demolição cirúrgica' da Praça Roosevelt em setembro

Obra começa nos próximos dias e deverá ficar pronta em dois anos.
Desafio é remover concreto sem afetar trânsito na ligação Leste-Oeste.

Roney Domingos
Do G1 em SP 

Entrada do túnel que passa sob a praça e dá acesso à ligação Leste-Oeste  (Foto Roney Domingos / G1)

Com data prevista para o início de setembro e custo de R$ 36 milhões, a reforma da Praça Roosevelt, na região central da cidade, vai começar pela 'demolição cirúrgica' de toneladas de laje de concreto, para não interromper o intenso tráfego de veículos da Ligação Leste-Oeste sob a praça nem fechar o trânsito entre o viaduto e as ruas Augusta, Consolação e Martinho Prado. As obras não devem interromper o fluxo de pessoas nos teatros e bares em frente à praça.

"Vamos fazer uma demolição cirúrgica", diz o diretor comercial da Paulitec, uma das empreiteiras contratadas para realizar a obra, Pedro Luiz Paulikevis dos Santos. "É uma obra complicada estrutural e operacionalmente", afirma.

De acordo com o contrato, a previsão é que tudo esteja pronto em dois anos. "Tudo envolve uma preocupação com segurança muito grande, para não atrapalhar o trânsito", diz. Estão previstas demolições de todas as lajes superiores e das rampas de acesso a elas. Serão mantidos e reformados apenas os estacionamentos subterrâneos.

 A Prefeitura prevê a demolição da laje de concreto conhecida como pentágono, plantio de 216 novas árvores, novos acessos, quiosques para floriculturas e manutenção do cachorródromo. O projeto de revitalização foi apresentado aos vereadores da Comissão de Administração Pública no início do mês. "Acho que falta colocar gente na praça", diz o vereador Penna, integrante da comissão.

A Prefeitura de São Paulo e o consórcio Paulitec/Cil, vencedor da licitação, aguardam o sinal verde do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para assinar o contrato e iniciar as obras. As empreiteiras já planejam a montagem dos canteiros. A reforma da praça deve provocar mudanças em seu entorno. Uma delas é a desapropriação do imóvel onde funciona a boate Kilt. O único funcionário que se dispôs a atender a reportagem afirma que os donos do estabelecimento não querem falar sobre o assunto e que, apesar dos comentários, desde 2009, por enquanto nada mudou na rotina da casa.

Em dezembro, o dramaturgo Mário Bortolotto, de 47 anos, foi baleado durante tentativa de assalto ao bar do Espaço Parlapatões. Ele sobreviveu ao ataque, que levantou polêmica mais uma vez sobre a degradação da praça enquanto o projeto de revitalização completa duas décadas. Na quarta-feira à tarde, dois policiais militares vigiavam a parte mais baixa da praça, ao lado de floriculturas em funcionamento. Havia skatistas e ciclistas na parte mais alta e movimento no cachorródromo, onde moradores de apartamento levam seus animais para passear. No entanto, a praça ainda convivia com pichações, mau cheiro e acúmulo de lixo.
 

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