quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pastel de feira com controle de qualidade

Feirantes manuseiam pastel em banca, no bairro da Pompéia (FOTO: KEINY ANDRADE/AE)

MÔNICA PESTANA

“É fácil: tem que misturar a farinha, a manteiga, água e tempero em um cilindro e depois colocar na máquina que a massa sai pronta”, explica o pasteleiro Mitsuro Omine, de 42 anos. “Só que tem que ser feito à noite, porque ela tem que descansar”, completa.

O procedimento é aparentemente simples, mas pode causar danos à saúde dos consumidores se os feirantes não cumprirem os procedimentos básicos de higiene. Uma nova determinação da Prefeitura exige que seja comprovada a procedência da massa utilizada para fabricação dos pastéis e de outros alimentos como tapioca, pamonha, lanches e até yakissoba.

Os feirantes têm até março do ano que vem para se adequar às normas de vigilância sanitária que estão baseadas no Manual de Boas Práticas, da portaria 1210/06, da Secretária Municipal da Saúde.

“É uma medida que no primeiro momento será de conscientização e não de fiscalização”, explica o supervisor geral de abastecimento da Secretaria das Subprefeituras, José Roberto Graziano. Segundo o supervisor, a determinação deverá contribuir com a melhora na qualidade dos alimentos vendidos nas feiras. Multas ainda não estão previstas.

Os comerciantes terão que dar informações sobre o local onde é feita a manipulação, acondicionamento e armazenamento dos ingredientes. Na renovação da matrícula, que é feita anualmente, os feirantes terão que informar o endereço de onde produzem as massas, além de apresentar o certificado do curso gratuito de boas práticas de manipulação de alimentos, realizado a cada dois anos no Sindicato dos Feirantes.

Pasteleiros questionados pelo JT em feiras da Pompeia e da região de Cerqueira César não sabiam da nova determinação. Para o feirante Mitsuro Omine, que trabalha na Pompeia, o curso deu noções básicas de higiene que muitas vezes eram esquecidas. “Não pode usar brinco, relógio e pulseira. O boné eu também não usava e passei a usar depois que fiz o curso no ano passado. É bom ter esse tipo de orientação”, avalia.

Para outros profissionais, esse tipo de controle é excessivo. “É falta do que fazer da Prefeitura. Eles estão pegando no pé direto. O curso até que vale a pena, fala de pequenas coisas que a gente acaba esquecendo no dia a dia, como aparar as unhas e ficar com o cabelo preso”, afirma o pasteleiro Roberto Chinen, de 49 anos, que trabalha na feira da Fernão Cardim.

A medida é considerada injusta para o presidente do Sindicato dos Feirantes, José Torres. “A diferença do pastel de feira é que o feirante faz de madrugada. Como vou abrir minha casa de madrugada? O ideal para isso é que a fiscalização compre o pastel e leve para análise.”

Para a médica Elke Stedefeldt, especializada em segurança alimentar da Unifesp, é importante verificar a qualidade da matéria prima e o local onde ela é manuseada.

“Se a massa for manipulada em ambientes com presença de insetos ou materiais como madeira, pode ter crescimento de bolores e de toxinas. Os riscos para a saúde do consumidor existem. Doenças como salmonela e outras ligadas ao sistema digestório podem aparecer com sintomas como diarreia, náusea e prostração.”

Colaborou Paulo Saldaña

No Jornal da Tarde

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