terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Vereador paulistano custa R$ 115 mil por mês

Por Milton Jung


Os vereadores voltam ao trabalho nesta terça-feira sob olhar atento da sociedade incomodada com o reajuste de 61,08% que eleva o salário deles para R$ 15 mil por mês. O gatilho salarial do legislativo foi disparado em Brasília com a decisão da Câmara dos Deputados e põe em questão quanto vale um político.
Antes que você publique qualquer comentário desaforado – e eu compreenderia perfeitamente sua reação – faço aqui as contas de olho nos gastos da maior cidade do País com a sua Câmara Municipal. De dinheiro que vai para sustentar diretamente o vereador e seu gabinete, deve-se por na conta:
Salário R$ 15.013
Verba de gabinete R$ 84.407,60
Verba indenizatória R$ 15.393,75
Puxando o traço, chegamos a R$ 114.814,35 por mês.
Lembro que a verba de gabinete paga o salário dos 18 assessores a que têm direito; e a verba indenizatória será recebida desde que o parlamentar apresente as notas fiscais comprovando seus gastos com material de escritório, telefone, gasolina, viagens para outras cidades, material gráfico, manutenção de site entre outras despesas ligadas ao mandato.
Aqui não está calculado o dinheiro para sustentar toda a Casa e seu corpo de funcionários
Não entrarei na conta rasa se o que desembolsamos para sustentar os vereadores é muito alto ou não. Entendo que é fundamental analisarmos antes o que fazem cada um desses vereadores pela cidade.
Um parlamentar que cumpra seu papel de representante da população e fiscal do prefeito começa bem nesta avaliação. São tarefas difíceis pois exigem enorme esforço para superar interesses partidários e políticos. Imagine um vereador da base governista ao se deparar com uma ação do prefeito que cause prejuízos à cidade. Denuncia e prejudica o trabalho de seu correligionário ou se cala para evitar desgaste do Governo, tentando resolver o problema apenas nos bastidores?
É importante que zele pelo dinheiro público defendendo a aplicação do Orçamento de forma equilibrada e nos programas considerados prioritários para a cidade, alertando sempre que verbas deixem de ser investidas nos setores para as quais foram destinadas.
Em relação ao dinheiro que gastamos para sustentá-lo, o verereador tem de formar um gabinete que atenda mais aos interesses de mandato do que de campanha. É comum as vagas serem distribuídas entre cabos eleitorais em lugar de profissionais capacitados a atuar em áreas ligadas a atuação de parlamentar. Um vereador que atue na comissão de finanças é recomendado que tenha entre seus funcionários especialistas em finanças públicas, por exemplo.
Além disso, deve estar ciente de que a cotratação de pessoal e empresa precisa não apenas ser legal, mas moral. Contratar empresas ligadas a parentes ou que não sejam idôneas é desrespeitar o dinheiro do cidadão. E sai caro para a cidade.
A transparência nas ações, a clareza na defesa de suas ideias e a abertura de canais de comunicação e participação de eleitores com o mandato são outras formas de tornar bem mais barato o peso de um vereador nas contas públicas.
Por tudo isso, é preciso que o cidadão se aproxime do vereador pois somente assim terá noção mais clara sobre quanto ele realmente vale para a cidade. Aproveite a retomada dos trabalhos legislativos na Câmara de São Paulo e adote um vereador. Controle os políticos antes que eles controlem você.
Mílton Jung é jornalista, âncora do programa CBN São Paulo, idealizador do Adote um Vereador e autor dos livros "Conte Sua História de São Paulo" e "Jornalismo de Rádio".

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