quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Projeto na Câmara de São Paulo acaba com função de cobrador de ônibus

Desde 2009, donos de empresas de ônibus pedem que motoristas façam o trabalho

Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli
SÃO PAULO - Com o apoio do prefeito Gilberto Kassab (PSD), o vereador e ex-presidente da Câmara Municipal Antonio Carlos Rodrigues (PR) apresentou ontem projeto de lei que autoriza o fim da função dos 15 mil cobradores de ônibus de São Paulo. Se aprovada, a proposta permite que o trabalho de cobrança de passagens passe a ser atribuído aos motoristas contratados a partir de 2012.
Apenas 8% dos usuários pagam passagem com dinheiro - JB Neto/AE
JB Neto/AE
Apenas 8% dos usuários pagam passagem com dinheiro
Esse é o primeiro projeto que tenta modificar uma polêmica lei de 2001 que blindou a função de cobrador. A regra prevê que todos os coletivos da cidade tenham um funcionário para auxiliar o motorista a orientar os usuários e fazer cobranças quando necessário.
Um dos argumentos para a mudança é de que hoje apenas 8% dos usuários de coletivos municipais pagam as passagens com dinheiro - todos os outros usam o bilhete único, criado em 2004.
Ligado aos donos das viações de ônibus, Rodrigues disse que o fim dos cobradores visa a reduzir os custos operacionais apontados pelo próprio Sindicato de Motoristas e Cobradores.
Em maio, a entidade havia fechado acordo com os empresários do setor para acabar com a função de cobrador, realocando os funcionários para outras funções. O acordo não estipulou uma data - apenas a obrigação de um adicional de função de R$ 250 para os motoristas. Agora, novos motoristas já poderão acumular a função de cobrança assim que o projeto for aprovado.
"Não tem nada de pressão de empresário, é apenas uma readequação de funções", argumentou Rodrigues. Pelo projeto, os cobradores devem ter preferência nas seleções na contratação de novos motoristas.
A previsão é que o texto seja analisado hoje na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A reportagem não conseguiu contatar representantes do Sindicato dos Motoristas e Cobradores.
Kassab. Líderes governistas afirmavam desde segunda-feira que o prefeito queria um projeto para colocar fim aos cobradores. Apesar de fazer oposição a Kassab, Rodrigues aceitou apresentar a proposta para agradar seus aliados dentro das empresas de ônibus. Oficialmente, o governo nega que tenha articulado a apresentação da proposta.
O Estado apurou também que os donos das viações pressionam Kassab pelo fim dos cobradores desde 2009. Mas o prefeito sempre alegou que não poderia assinar um projeto com essa proposta por causa do prejuízo político que poderia causar, apesar do alto valor dos subsídios pagos pela Prefeitura - R$ 600 milhões só no ano que vem - para manter a tarifa em R$ 3.
Por enquanto não existe acordo entre os líderes de bancada para a votação da proposta. Muitos vereadores temem repercussão negativa para as eleições de 2012. A aprovação depende agora do esforço que a base governista vai dispensar, já que as duas principais prioridades são as votações do projeto que cria o centro de exposições em Pirituba, na zona norte, e do texto que autoriza mais prédios na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima.
LÁ TEM...
Estados UnidosA maior parte das cidades americanas já não tem cobrador de ônibus há mais de duas décadas. Além do bilhete eletrônico, como ocorre em São Paulo, há máquinas que coletam moedas e imprimem o boleto na hora. Em outras cidades, o passageiro pode comprar um tíquete em qualquer comércio e entregá-lo ao motorista. Também é comum que o próprio condutor acumule as funções de direção e cobrança.

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