quinta-feira, 10 de maio de 2012

Os bastidores da Audiência Pública sobre o terreno que está sendo doado ao Instituto Lula


Hoje pela manhã participei da Audiência Pública, que trata da "doação" de um terreno público ao Instituto Lula (privado), na Câmara Municipal de São Paulo.

Sai de casa por volta das 7,45 horas e após dois ônibus lotados, cheguei a Câmara por volta das 9,40 horas, a  audiência estava marcada para as 10. Cheguei por lá a movimentação ainda estava pequena, alguns integrantes dos Movimentos Revoltados Online e Nas Ruas agrupavam-se em frente a entrada do Palácio Anchieta.

Perto das 10 horas dirigi-me ao Plenário 1º de Maio sendo uns dos primeiros a chegar, logo foram adentrando ao recinto os integrantes dos movimentos citados e o sempre presente "casal da cidadania", como gosto de chamar o Danilo e Sonia Barboza -Presidente e Diretora do Movimento Voto Cosciente-. Em seguida chegaram os Vereadores Floriano Pesaro e Tião Farias do PSDB, o Presidente José Police Neto (PSD) -aqui vale salientar que o presidente permaneceu no recinto durante toda a Audiência, sentado ao lado de alguns participantes no plenário, e ao final ainda dialogou com alguns manifestantes-.

Participaram da Audiência os vereadores Italo Cardoso, Francisco Chagas, José Américo e Alfredinho do PT, passaram por lá Dalton Silvano (PSD), Jamil Murad (PCdoB), Adilson Amadeu (PTB), Cláudio Fonseca (PPS), Carlos Neder (PT) e Aurélio Nomura (PSDB). Como o vereador Presidente da Audiência fez questão de lembrar por várias vezes, pelo regimento interno os vereadores não tem obrigação de participar das audiências. A presença da tropa de choque petista é normal, é parte interessada no assunto, mas o ideal seria a participação de todos os 37 vereadores que votaram favoravelmente a cessão do terreno por 99 anos ao Instituto Lula para que eles ouvissem a opinião da população.

Ao começar a Audiência, sem a presença de representantes do Instituto e Executivo para fazer a defesa do projeto, começou a participação popular e, quando o primeiro cidadão chamado para falar, antes orientado de que o tempo seria de 3 minutos, chegou o representante do Executivo (Procurador Henrique Fugaya da SEMPLA, Secretária Municipal de Planejamento). Coitado, sem nenhum preparo subiu ao parlamento tremendo como uma vara verde e mais parecia um cachorro que caiu da mudança -totalmente perdido-. O desentendimento começou quando o presidente anunciou que o mesmo teria 20 minutos para a defesa, como se os demais teriam apenas 3? o presidente resolveu logo a questão dizendo que poderia ser até de 20 minutos. O representante falou por mais ou menos 3 minutos e encerrou sua defesa, ou seja não disse nada.

Tudo corria normalmente entre a fala de um popular e outro, sempre cronometrado religiosamente pelo presidente Tião farias, chegou a vez do vereador José Américo e conhecendo a figura comecei a cronometragem de seu tempo. Como o presidente não se manifestou já estava indo para os 5 minutos, resolvi então reclamar com o presidente. Não é que o vereador se achou desrespeitado e começou a discussão com os presentes se achando no direito de usar o tempo que quisesse, começou ali o primeiro desentendimento. Os vereadores passaram a provocar os manifestantes e quando a coisa pegava fogo, vinha o presidente com a ameaça de encerrar a audiência pedindo respeito aos parlamentares, respeito este que não vinha por parte dos "parlamentares".

Depois de acalmado os ânimos a coisa correu a vontade, sem aquele rígido controle do presidente, e aconteceu de tudo. O vereador Francisco Chagas terminou sua fala desdenhando dos presentes, chegou a ofender uma senhora que visitava a casa pela primeira vez, como se ali estivessem um bando de idiotas e em tom de gozação agradeceu aos votos recebidos na eleição.

O vereador Italo Cardoso disse que ali existia um bando de covardes e por último o vereador Alfredinho desceu da mesa e foi em direção de um grupo que protestava contra sua fala. Disse ele: "na minha base eleitoral todos são a favor da cessão do terreno só vocês são contra". Não preciso nem dizer o que penso destes currais eleitorais movidos a bolsa família.

Os senhores vereadores clamavam por respeito e sequer davam a mínima atenção ao que os manifestantes falavam ao microfone, em verdadeiro tom de deboche mesmo e com a certeza de que este terreno já está no papo. Esquecem eles que quem ali estavam protestando pagam seus salários e suas mordomias, que seus papéis ali é simplesmente representar os interesses de quem os sustenta. Eu particularmente não me sinto nem um pouco representado por eles, muito pelo contrário, me envergonho deles.

A lição que tirei disso tudo é simples, eleitos com um quantidade insignificante de votos e muitos deles suplentes se acham intocáveis, a tal da proporcionalidade, e como gostam de dizer que foram eleitos democraticamente pelo povo.

Para salvar meu dia estava lá a Sonia Barboza, subiu a tribuna e falou tudo aquilo que eu talvez não tivesse coragem de falar, veja o vídeo:




Atualizado em 11/05/2012 às 18,00 horas.

O vídeo referente a Audiência Pública (na íntegra) está a disposição no Portal da Câmara, na busca coloque a data 10/05/2012 e Comissões - Audiências Públicas.

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