quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Novo governo negociará 1.400 cargos nos bairros

Vereador petista assume Secretaria das Subprefeituras com missão de tirar coronéis e contemplar políticos, mas evitando escândalos

Adriana Ferraz e Diego Zanchetta - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Após cinco anos sob comando de coronéis da reserva da Polícia Militar, as subprefeituras paulistanas voltarão a ser comandadas por aliados políticos a partir de janeiro. O prefeito eleito Fernando Haddad (PT) vai aceitar indicações de vereadores com forte base regional e bom trânsito com movimentos sociais, desde que o escolhido seja "ficha-limpa". Também se estuda a criação de uma 32.ª subprefeitura, em Sapopemba.
Quem vai ajudar Haddad a fazer a composição dos cerca de 1.400 cargos comissionados das antigas administrações regionais é o vereador e ex-presidente da CET Chico Macena, de 47 anos, futuro secretário de Coordenação das Subprefeituras. Além dele, devem ser anunciados hoje outros seis secretários para compor o futuro governo. Na lista, há duas representantes do PMDB: Luciana Temer e Mariane Pinotti (veja abaixo).
Pressionado principalmente por petistas que querem saber como será a composição das subprefeituras com a saída dos militares, Haddad já avisou que as indicações passarão por um pente-fino. O objetivo é evitar que os governos locais voltem a ser focos de escândalos de corrupção ou se transformem em escritórios políticos de vereadores, como já ocorreu.
Nos quatro anos do governo Marta Suplicy (2001-2004), por exemplo, o loteamento de subprefeituras ajudou a prefeita a ter maioria na Câmara Municipal. Subprefeituras eram comandadas por vereadores que indicavam apoiadores para administrarem clubes municipais e parques e fiscalizarem o comércio.
Para manter o apoio e também o controle da gestão, Haddad planeja aumentar a participação da sociedade. A ideia é instalar conselhos consultivos em cada regional, com integrantes pagos e eleitos pela população. Entre as principais funções estará a fiscalização dos chefes, além da apresentação das demandas locais.
"O prefeito (eleito) mostrou que está disposto a chamar qualquer pessoa que queira ajudar a governar, independentemente da posição partidária", afirmou o vereador Ítalo Cardoso (PT), primeiro-secretário da Câmara. Ele não conseguiu se reeleger, mas deve ganhar uma subprefeitura. Zelão, que também não conseguiu outro mandato, apesar de ter sido o candidato mais votado em Guaianases, na zona leste, também está na fila.
Figurões. Até quem apoiou José Serra (PSDB) nas eleições será consultado para a escolha dos subprefeitos – caso de alguns pesos pesados da política da zona sul, como Goulart (PSD), Milton Leite (DEM) e Antonio Carlos Rodrigues (PR).
"Era natural a saída dos coronéis. Agora, vai haver uma composição como houve com as secretarias", defende Paulo Fiorilo (PT), cotado para ser líder do novo governo no Legislativo. Arselino Tatto segue a mesma linha. "Um governo de coalizão significa que vários partidos vão participar. Agora, é o prefeito que tem a liberdade de escolher."
Mas a futura divisão não é unânime. A oposição ao PT promete protestar. Para o vereador Gilberto Natalini (PV), será "a volta da farra do boi". Já o líder do PSDB, Floriano Pesaro, classificou a forma de indicações como lamentável. "Com os coronéis não há o tal do jeitinho, é uma administração que respeita a lei ao pé da letra."
Matéria publicada originalmente no Estadão.com.br

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