domingo, 23 de junho de 2013

Os protestos das ruas têm que chegar as urnas

Foto: Fabio Motta/Estadão
Nos últimos quinze dias muita coisa tem mudado no Brasil, o povão acordou, se ouve e se vê de tudo, informações desencontradas e muita gente querendo tirar proveito das manifestações que acontecem país afora.

Tudo começou com um protesto liderado pelo Movimento Passe Livre em São Paulo, aqui vale uma ressalva de que este movimento até pouco tempo era apoiado pelo PT quando o partido era a pedra, e espalhou-se Brasil afora numa luta incansável contra o aumento nas tarifas de transportes públicos. Agora, por mais que tentem esconder, são apoiados por partidos de esquerda mais radical como PSOL, PSTU e PCO.

Parece que ninguém estava entendendo nada do que acontecia, principalmente por aqui onde o prefeito Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) deram as mãos em Paris -estavam na "cidade luz" em busca de mais um mega evento para São Paulo, enquanto a cidade fervia em protestos- e bateram no peito dizendo que não iriam baixar as tarifas de maneira alguma. O prefeito sempre com discursos vazios dizendo que estava cumprindo promessa de campanha e havia aumentado a tarifa dos ônibus abaixo da inflação. Enquanto o governador ameaçava botar a polícia na rua e conter os protestos com rigor e força. Isso só aumentou a indignação da população cansada de tantos desmandos e o movimento foi crescendo, até perder a proporção e sair do controle do Movimento Passe Livre, tanto que após baixar as tarifas em várias cidades brasileiras o movimento deu sua missão como cumprida e anunciou a saída dos protestos em São Paulo.

Desde a candidatura do Brasil para a realização da Copa 2014, me coloquei contrário e explico: num país onde as pessoas morrem na fila do SUS esperando consulta ou uma simples cirurgia por falta de médicos -várias vezes escrevi sobre isto aqui no blog-, a situação da educação é precária com professores mal remunerados e mal-tratados pelo governo sem a mínima condição de ensinar alguém, o transporte que foi o estopim desta revolta em péssimas condições -sempre lotados e escassos-, corrupção e impunidade tomando conta do país, e assim por diante...

Cansei de ouvir a frase "com pão e circo o povo se contenta", o circo foi montado por todo o país -as custas de dinheiro público- e o pão entenda-se aqui Bolsa Família distribuída a torto e a direito. Acabaram esquecendo que montaram o circo para uma platéia que nada tem a ver com pão fornecido por eles e deu no que deu. 

Participei das campanhas pelas DIRETAS JÁ e FORA COLLOR, no tempo em que protestos eram realizados em praças públicas. Os patrimônios públicos e privados eram preservados e o direito de ir e vir sempre respeitados. Sou totalmente a favor de manifestações e é lógico também apoio, apenas acho que devemos participar de protestos com cara limpa, sem mascaras e capuzes ou qualquer equipamento que dificulte nossa identificação, ou corremos o risco de sermos confundidos com estes vândalos que dominam os noticiários no rádio, jornal, internet e televisão. Todos sabemos que um protesto pacífico, frase da moda hoje em dia, não interessa a nenhum deles[imprensa] e correm atrás de vandalismo como os que ocorreram recentemente em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília, entre outros. Ninguém vai ficar sentado em frente a TV assistindo uma manifestação pacífica, com suas faixas e cartazes caminhando pelas ruas do Brasil, não dá audiência, então colocam-se helicópteros nas coberturas e saem a procura das más notícias -em busca dos vândalos- e acabam generalizando tudo.

Como me estendi muito no texto, quero deixar um recado e talvez volte em outra oportunidade para novos comentários, vale a pena lembrar que tudo isto que está por aí é culpa nossa. De nada adianta os protestos de hoje, se nas próximas eleições votarmos nestes mesmos políticos que comandam o país de hoje. A mudança de atitude não pode acabar nas ruas, temos que levá-las as urnas.

Foto: extraída do facebook

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