segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Menina morre após receber vaselina na veia


BRUNO RIBEIRO

A estudante Stephane dos Santos Teixeira, de 12 anos, moradora do Jaçanã, zona norte, morreu neste sábado, 4, após receber, no Hospital Municipal São Luiz Gonzaga, na mesma região, vaselina líquida no lugar de soro fisiológico. É o que suspeita a Polícia Civil, que trata o caso como homicídio culposo (sem intenção de matar).
A injeção foi dada durante atendimento ocorrido na sexta-feira, 3. Segundo familiares, a reação à vaselina foi instantânea. “Ela disse que sentiu a boca seca e se desesperou. Falou para a mãe dela ‘eu vou morrer, não deixa’,” conta Caroline de Fátima Pereira, de 31 anos, madrasta da criança. Stephane vivia com a mãe e uma irmã; o pai mora com outra família.
Após ficar “toda roxa e contorcida”, a menina foi transferida de hospital às pressas e levada para a Santa Casa, em Santa Cecília, na região central. Antes de morrer, teve sete paradas cardíacas. “Eles (na Santa Casa) fizeram o que puderam. Quando o médico foi dar a notícia (sobre a morte), falou que houve um erro”, continua a madrasta.
A família afirma que uma necropsia feita ainda no hospital constatou a vaselina líquida no sangue. Médicos do hospital orientaram o pai de Stephane a procurar a polícia. Ele registrou um boletim de ocorrência na manhã de anteontem no 77º Distrito Policial (Santa Cecília). A Polícia Civil diz aguardar os laudos que serão feitos pelo Instituto Médico-Legal (IML), que podem demorar 30 dias para ficarem prontos.
A mãe de Stephane foi com ela na tarde de sexta-feira ao hospital São Luiz Gonzaga após a menina reclamar de dores no abdômen. Ela estava com diarreia. A médica que a atendeu, diz a família, receitou soro e pediu para a menina ficar em observação. Stephane havia, inclusive, recebido a primeira bolsa do medicamento sem apresentar problemas. “A médica falou que iria esperar um pouco e dar sopa para ela, para ver se iria vomitar. Ela estava até melhor. Mas, no lugar disso, apareceu uma outra médica ou uma enfermeira, a gente não sabe, que deu o outro soro. Mas era a vaselina”, afirma Caroline.
Santa Casa
A Santa Casa de Misericórdia informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que seria aberta uma sindicância para apurar o caso. Até o fechamento desta edição, a entidade não enviou nota sobre o ocorrido.
O Hospital São Luiz Gonzaga é de responsabilidade da Prefeitura, que terceiriza a gestão do local para a própria Santa Casa. A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada ontem mas não informou se seria feita uma investigação sobre o caso nem quais medidas administrativas tomaria. A assessoria de imprensa afirmou que essas informações seriam passadas apenas pela Santa Casa.

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