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domingo, 28 de novembro de 2010

Jardim Pantanal: dique só depois da chuva

Prevista para este mês, construção para conter águas do Tietê ficará só para janeiro; contrato de emergência custou R$ 70,5 milhões


Diego Zanchetta - O Estado de S. Paulo-


O prefeito Gilberto Kassab (DEM) admitiu ontem que as obras antienchente emergenciais na várzea do Rio Tietê, no Jardim Romano, extremo da zona leste da cidade, só devem ser concluídas no final de janeiro. A construção de um dique de 1,4 metro para conter as águas do rio foi contratada em junho, sem licitação, por R$ 70,5 milhões.
A previsão inicial de conclusão da obra, a principal intervenção contra os alagamentos do Jardim Romano, era novembro, segundo informou a Prefeitura no final de setembro, quando o Estado revelou a contratação sem concorrência, a maior da história do governo municipal. O bairro ficou conhecido após ficar cerca de 60 dias alagado durante o verão passado.
A justificativa da dispensa de licitação era justamente acelerar conclusão da construção do dique antes das chuvas do próximo verão. O valor engloba também a construção de um piscinão com capacidade para 35 milhões de litros, para onde a água escoada pelo dique será encaminhada.
Questionado sobre o prazo anterior, Kassab tergiversou. "É um mero capricho falar em janeiro. Pode ser o final de novembro, apesar de que já estamos no final do mês. A obra vai ficar pronta", argumentou o prefeito, que não respondeu se a cidade está preparada para as próximas chuvas.
Plano. Kassab anunciou ontem o início da elaboração de um plano diretor de drenagem da cidade. Para isso, contratou, também sem licitação e por R$ 4,1 milhões, o Departamento de Hidrelétrica da Escola Politécnica da USP. Mas projeto deve ficar pronto só em 24 meses.
"A cidade foi penalizada em gestões anteriores pela falta de investimento (no combate às enchentes). Os esforços têm sido bastante pesados agora. Eliminamos uma série de pontos críticos, mas é claro que o volume de chuvas não deve ser como o do ano passado", afirmou o prefeito. Kassab citou também as recentes chuvas como um dos empecilhos à conclusão das obras no Jardim Pantanal.
Ao assinar um contrato milionário sem licitação, Kassab repetiu recurso adotado pelo governo da ex-prefeita Marta Suplicy (PT) que rendeu processo de improbidade contra a petista. Em 2002, Marta gastou R$ 8 milhões sem licitação, com a Queiroz Galvão, para construir um piscinão de contenção às enchentes no Aricanduva, também na zona leste da cidade, alegando também calamidade pública. Naquele ano, Marta gastou R$ 50 milhões com contratos emergenciais. Uma ação do Ministério Público contra a obra foi aceita em agosto daquele ano pela Justiça. Em 2004, seu último ano à frente da Prefeitura, Marta gastou R$ 44 milhões em contratos sem licitação.
Chuvas. Mauro Tadeu de Barros, engenheiro hidrelétrico da USP que será um dos responsáveis pelo novo plano diretor de drenagem da cidade, afirmou que a previsão para este ano é de chuvas abaixo da média. "Mas, em se tratando da Bacia do Alto Tietê (onde fica a capital), estamos sempre sujeitos a fenômenos localizados", afirmou.

sábado, 6 de novembro de 2010

SP vai fechar empresa que não cuidar do próprio lixo

EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO

Lojas, bares e restaurantes que colocarem mais de três sacos de lixo na rua para o caminhão levar poderão ter seus alvarás cassados. É o que promete a Prefeitura de São Paulo, oito anos depois de a regra entrar em vigor.


Toda empresa que produz mais de 200 litros de lixo --equivalentes a três sacos-- por dia tem de contratar transportadores particulares para dar uma destinação aos seus resíduos. É o que está na lei, aprovada em 2002.

Das cerca de 12 mil toneladas diárias de lixo recolhidas pelas duas concessionárias do serviço na cidade, aproximadamente 10% vêm de empresas que, pela lei, teriam de cuidar do próprio lixo.

Atualmente, 4.147 empresas estão cadastradas na prefeitura como "grandes geradores", nome técnico para pessoas jurídicas que produzem mais de 200 litros de lixo por dia. Outras 5.450 estão com os cadastros vencidos.

Pode parecer muito, mas não é. Estima-se que mais de 100 mil estabelecimentos comerciais ou de serviços --de um total de 1 milhão--, além de prédios comerciais, se enquadrem nesse limite.

O secretário municipal de Serviços, Dráusio Barreto, aposta que as novas ações serão importantes para mudar o comportamento das empresas. "Agora, não será mais só multa. Nós vamos poder até suspender em definitivo a licença de funcionamento da empresa", disse.

Prevista na lei de 2002, a cassação da licença nunca foi aplicada. "Faltava a regulamentação. Agora temos", diz Barreto sobre decreto do prefeito Gilberto Kassab (DEM), publicado hoje no "Diário Oficial" da cidade.

EXIGÊNCIA ANTIGA

A ação vem sendo reivindicada há tempos pelas empresas de coleta de lixo. Elas reclamam que têm de coletar resíduos que não são de sua responsabilidade _os contratos preveem a coleta apenas do lixo domiciliar, excluindo grandes geradores.

O valor que as empresas recebem é fixo, independentemente da quantidade coletada. Quanto mais lixo, mais caro fica para as empresas, pois são necessários mais caminhões, mais funcionários, mais espaço nos aterros etc.

"Há estabelecimentos públicos que também precisam se enquadrar. Tinha um hospital que gerava de três a cinco toneladas de lixo normal por dia. Esse se enquadrou, mas outros não", diz Nelson Domingues, presidente da concessionária Ecourbis.

A prefeitura informou que os órgãos públicos também terão de se enquadrar, exceto os da administração direta, como escolas municipais.


sábado, 30 de outubro de 2010

‘SP não está preparada’, diz vereador presidente da CPI das enchentes


Entrevistamos nessa quinta-feira, 29, em seu gabinete, o vereador Adilson Amadeu (PDT),
que preside a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta na Câmara dos Vereadores
em fevereiro para apurar as responsabilidades pelos danos causados pelas cheias ocorridas
no começo do ano.
Entre dezembro de 2009 e março de 2010, 18 pessoas morreram em São Paulo em decorrência dessas enchentes. No total, 78 vítimas foram contabilizadas em todo o Estado.
A CPI deve ser encerrada em dezembro, mas o vereador afirmou na entrevista que o prazo pode ser prorrogado. “Estamos estudando com os outros vereadores estender os trabalhos por mais seis meses”, disse Amadeu.
O grupo conta com oito vereadores de diferentes partidos. Secretários, subprefeitos, funcionários de empresas que prestam serviços à prefeitura e o pessoal envolvido nos pregões e licitações de serviços têm sido ouvidos. “Essa CPI é muito importante e estamos fazendo de uma maneira transparente, trazendo informação. Estamos indo na raça”, contou o vereador, que foi bastante crítico com a administração da cidade. “No início dos trabalhos, solicitei o auxílio de um técnico em engenharia para colaborar, mas até hoje não ofereceram ninguém”, reclama.
SP das Enchentes: Como surgiu a ideia para a CPI?
Amadeu: Na época, comentei com colegas: Não adianta jet-ski nem lancha para contornar as enchentes, o que adianta é estrutura. O crescimento da cidade é brutal, todo dia saem novas edificações, mas os rios continuam os mesmos, e as galerias não são limpas. Então qualquer chuvinha causa alagamentos. Além disso, começamos a receber muitas reclamações da população.
SP das Enchentes: Houve resistência de outros vereadores para instalar o grupo?
Amadeu: Não tivemos resistência para montar, apenas a preocupação de que a CPI seria complicada e que mexeria com pessoas que sempre tiveram uma “condição” dentro do governo. Quero saber quem são essas pessoas, que dão retaguarda para todas as empresas que prestam serviço.
SP das Enchentes: Vocês têm vistoriado os trabalhos das empresas contratadas?
Amadeu: Fui ao vivo e a cores ver o trabalho de limpeza de bocas-de-lobo, bueiros, galerias. Constatamos que uma empresa presta esses serviços à Prefeitura há mais de 20 anos. São sempre os mesmos que ganham os pregões de obras. Uma dessas empresas faz trabalhos para 26 Subprefeituras. O serviço que elas fazem há anos continua do mesmo jeito. Se deram uma melhorada, foi graças à CPI. As empresas são boas para ganhar dinheiro, porém a manutenção deixa muito a desejar.
SP das Enchentes: O que a CPI conseguiu levantar até agora?
Amadeu: Quando você acompanha tudo o que foi falado aqui, por subprefeitos e coordenadores de subprefeituras, você percebe que os dados não batem. Eles afirmam que limpam 120 bocas de lobo por dia quando, no máximo, podem limpar 40. Até dá pra chegar nos 120, se você só levantar a tampa do bueiro, olhar e não limpar. Isso não tem nenhum controle.
SP das Enchentes: Em setembro, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ao Estado que este ano a cidade está mais bem preparada para as enchentes. O senhor concorda?
Amadeu: Discordo totalmente. A cidade não está preparada. Nada mudou. Os córregos e as galerias são os mesmos e não foram limpos. Os 400 mil bueiros de São Paulo necessitam de, no mínimo, quatro limpezas por ano. Em 2010, não serão limpos nem duas vezes. Eles (Prefeitura) acham que a cidade está bem, que se chover não vai encher. Mas nos últimos dias nós já tivemos mortes ligadas às enchentes.
Eduardo Roberto - ESTADÃO.COM.BR/BLOGS

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