Fonte: ESTADÃO.COM.BR
O conceito de cidadania sempre esteve fortemente atrelado à noção de direitos, especialmente os direitos políticos, que permitem ao indivíduo intervir na direção dos negócios públicos do Estado, participando de modo direto ou indireto na formação do governo e na sua administração, seja ao votar (direto), seja ao concorrer a cargo público (indireto).
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
STF decide que Lei da Ficha Limpa será aplicada na eleição deste ano
Fonte: ESTADÃO.COM.BR
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Vereadores na mira da Lei Ficha Limpa
JOÃO CARLOS MOREIRA
DIÁRIO SP
Uma decisão judicial referente a um caso ocorrido há 17 anos pode dar dor de cabeça a vereadores e ex-vereadores da capital. Condenados a devolver dinheiro aos cofres municipais por receberem indevidamente acréscimo salarial entre janeiro de 1993 e janeiro de 1994, os parlamentares e ex-parlamentares têm poucas chances de rever a sentença. Eles também correm o risco de enfrentar a Lei da Ficha Limpa com base na condenação, embora a aplicação da nova legislação ainda esteja em discussão no Judiciário.
"Quem vai dar a resposta a essa questão (aplicação da Lei da Ficha Limpa) se chama Luiz Fux", disse Alberto Rollo, advogado especialista em direito eleitoral, quando perguntado sobre o risco de enquadramento dos vereadores. Ele se refere ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) recém-indicado pela presidente Dilma Rousseff, a quem caberá desempatar o julgamento da ação sobre a aplicação retroativa da nova lei.
Sem recurso /Entre os condenados pela juíza Gabriela Sacchi, da 11ª Vara da Fazenda Pública, estão o prefeito Gilberto Kassab, vereador à época, e cinco parlamentares que ainda exercem mandato. No total, 55 vereadores da legislatura 1993/96 foram condenados. Pelo menos oito já morreram. A maioria dos pagamentos gira em torno de R$ 98 mil. A soma das condenações dá R$ 5,3 milhões. Também terão de pagar R$ 530 mil de honorários dos advogados.
"A sentença da juíza passou por todas as instâncias da Justiça e a condenação foi mantida. Mas ainda não avaliei se é um caso para aplicação da Lei da Ficha Limpa. É preciso analisar melhor essa questão", disse Marco Antonio Rodrigues Barbosa, advogado na ação movida por quatro moradores da Lapa, que atuavam na associação do bairro. Para Alberto Rollo, é necessário analisar se houve dolo (intenção) da parte dos vereadores.
Os réus receberam a mais graças a uma interpretação que a Mesa Diretora da Câmara na época deu à resolução que fixa o salário dos vereadores a no máximo 75% da remuneração dos deputados estaduais. O cálculo para excluiu o que era recolhido ao Imposto de Renda. O ato foi suspenso em janeiro de 1994.
Do DIÁRIO DE S. PAULO
Veja a lista de vereadores, clicando aqui!
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Netinho de Paula e José Aníbal querem concorrer à Prefeitura de SP em 2012
Da Folha.com
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
30% já não se lembram do voto para deputado
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
E o sonho de Netinho de Paula virou pesadelo
“O resultado é fruto do meu trabalho voltado para a população. Foi como se eles dissessem ‘nós não esquecemos de você’. Quero desempenhar um bom papel agora, implementar ótimas políticas públicas e depois caminhar para o Senado”.Ao contrário do que apontavam todas as pesquisas de intenção de votos durante a campanha eleitoral, em que alternava posições com Marta Suplicy, surpreendemente Aloysio Nunes passou a ocupar o primeiro lugar nas apurações deixando a segunda vaga entre os dois candidatos apoiados pelo presidente Lula. Isto prova que eleição se ganha nas urnas e não em pesquisas.
Tendo como certa sua eleição ao senado, o vereador abandonou completamente suas funções na CMSP durante todo o período de campanha (menos as prestações de contas). Compareceu muito pouco a casa e visivelmemente desinteressado com os assuntos relativos a cidade, sempre que utilizou os microfones foi para dar ênfase a sua campanha ao senado.
Confesso que andei preocupado com meu futuro nos últimos dias, pois como meu adotado no projeto Adote um Vereador eu não sairia do pé dele se fosse eleito ao senado.
Não é dessa vez que vai acontecer o churrasco dos manos nas lajes de Brasília e, com certeza ele terá que retomar sua rotina na CMSP e levar seu trabalho com mais seriedade se quiser almejar alguma coisa em seu futuro político.
Vamos aguardar ansiosos por seu retorno a CMSP e estaremos sempre a postos na fiscalização de seu trabalho como fizemos até hoje, divulgando, elogiando e críticando suas ações no parlamento municipal.
Você que levou a sério seu voto e não votou em palhaço, acompanhe o trabalho de seu parlamentar para conferir se mereceu seu voto. Novas campanhas virão por aí e com certeza ele voltará a pedir seu voto.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Netinho já tinha batido em mulher antes de agredir ex
FLÁVIO FERREIRA
Netinho de Paula (PC do B), que hoje divide a liderança em São Paulo na disputa pelo Senado, costuma chamar de pontual o episódio em que foi acusado de espancar a ex-companheira Sandra Mendes, em 2005.
O atual candidato, porém, foi condenado por agredir e ofender uma funcionária da Vasp, em julho de 2001.
O vereador foi processado pelo Ministério Público sob a acusação de ter dado uma "chave de braço" em Nilda Pisetta, supervisora da extinta companhia aérea. Em novembro de 2002, como punição, foi obrigado a pagar cem latas de leite em pó.
Mas o cantor teve de desembolsar mais para quitar o episódio. Nilda apresentou à Justiça uma ação civil de indenização por danos morais contra Netinho _que na atual corrida pelas duas vagas de senador está empatado com a petista Marta Suplicy, sua colega de chapa.
Na sentença, o juiz afirmou que "ficou cabalmente demonstrado" que Nilda foi agredida, "com virulência desproporcional" e condenou Netinho ao pagamento de R$ 80 mil.
ACORDOS
Após a decisão os dois fizeram um acordo, mas o valor negociado não foi publicado no "Diário Oficial" do Estado. Procurada pela Folha para comentar o caso, a assessoria de Netinho não respondeu.
A agressão à ex-mulher, que ocorreu quatro anos após o episódio com a supervisora da Vasp, também foi resolvida com um acordo.
No dia 2 de fevereiro de 2005, Sandra denunciou o espancamento. Cerca de um mês depois da denúncia, os dois afirmaram à Justiça terem entrado em acordo, o que finalizou o processo.
A ex-mulher do candidato iniciou a ação por um escritório de advocacia, que foi afastado do caso após o início da mediação do acordo.
Esse escritório reivindica até hoje o pagamento de honorários pelos serviços prestados a Sandra. À Justiça Netinho declarou ser pobre e pediu para não arcar com as despesas do processo.
O acordo com a ex-mulher foi registrado em cartório, fora dos tribunais, e está anexado ao processo movido pelo escritório contra Netinho.
Segundo o documento, o cantor se comprometeu a pagar R$ 850 mil a Sandra, R$ 300 mil à vista, e o restante em 12 prestações. Ela também teve direito a um carro de luxo e a um plano de saúde por dois anos.
Quem conheceu Netinho durante a juventude estranha a violência demonstrada após a fama. Na Cohab de Carapicuíba, os antigos vizinhos lembram de um rapaz animado. "Ele ensaiava com os meninos no parquinho aqui na frente", conta Teresinha Rodrigues da Paixão, de 71 anos, que é vizinha do prédio onde Netinho viveu.
"Os meninos" a que Teresinha se refere são os oito músicos que, ao lado de Netinho, foram alçados à fama com a banda Negritude Júnior, na década de 1990. Netinho era o vocalista, e foi "convidado a sair" do conjunto em 2001.
Dois dos integrantes ouvidos pela Folha afirmaram que Netinho saiu porque estava fechando contratos à sombra da banda.
"A gente só se deu conta do que estava acontecendo no dia em que ele fechou com uma emissora de TV", contou Nenê, que toca contra-baixo e violão no grupo.
Em entrevista à Folha, publicada na última quarta-feira, Netinho disse sentir saudade dos ex-companheiros. "Mas não tenho do que reclamar. Segui um caminho bom pra mim", afirmou.
OUTRO PROCESSO
O grupo entrou com um processo para impedir que Netinho continuasse usando a marca Negritude em seus negócios. A ação correu em segredo de Justiça, a pedido da banda e a contragosto da advogada, Luzia Maglione.
"Eles tinham uma preocupação muito grande. Não queriam alimentar boatos. Pediram o segredo e também não quiseram cobrar indenização", contou a advogada.
O processo foi iniciado em 2003 e pedia apenas interrupção do uso da marca. A decisão saiu no fim de 2006, com ganho para a banda. Mas o juiz estabeleceu que, não cumprindo a determinação, Netinho pagasse multa de R$ 3.500 por dia de uso indevido da marca.
A demora em seguir a determinação da Justiça gerou uma dívida de cerca de R$ 400 mil do cantor com a banda, que não foi paga até hoje. "Ele não tem nada no nome dele. A maior parte das ações das empresas ficam no nome dos filhos", disse Luzia. A assessoria do cantor não respondeu sobre essa dívida.
Da FOLHA.COM
sábado, 4 de setembro de 2010
Prestação de contas do vereador Netinho de Paula (PCdoB) em julho/2010
2º - Combustível - Para uso em campanha?
Outro detalhe que chama a atenção é o pagamento de Telefone móvel nos meses de abril/10 R$ 821,00 e Junho/10 R$ 918,89 a Nextel Telecomunicações Ltda.
Sei que nos meses de recesso o gabinete dos vereadores continuam em expediente normal, o que não justifica certos pagamentos. Principalmente se o vereador está em campanha eleitoral e não comparece a CMSP como no mes de agosto e este início de setembro.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
O pagode da casa de Netinho
A casa de Netinho, no condomínio Alphaville 8. No detalhe, dois veículos em sua garagem
Candidato ao Senado, Moacyr Franco chuta o balde
O candidato ao Senado pela coligação PSB-PSL e cantor Moacyr Franco acusa o comando da campanha de “mutilar” e “censurar” sua mensagem na propaganda eleitoral que vai ao ar, no rádio e na TV. Ele reclama que a fala dele foi substituída pelo discurso do candidato ao Governo, Paulo Skaf.
Moacyr Franco já havia criticado a coligação por ter perdido o horário da entrevista que estava marcada na série organizada pelo CBN SP. Ao se referir ao PSL, pelo qual saiu candidato ao Senado, disse que era “um partideco”. Além disso, falou que não conseguia ser recebido pelo candidato Paulo Skaf, pois pretendia pedir ajuda financeira para fazer a campanha.
Sem ter sucesso no contato com Skaf e comandantes da Coligação Preste Atenção São Paulo, resolveu escrever uma carta pública que reproduzo a seguir:
Prezados senhores,
Estou há 13 dias batendo de porta em porta tentando junto ao comando de campanha da coligação” PSB – PSL, explicação para a substituição da minha mensagem como Candidato a Senador, por discursos do Candidato a Governador (competentíssimo), como os senhores sabem entrei nesta corrida eleitoral exclusivamente pela oportunidade de usar 30 segundos nas 3 mídias para alertar os brasileiros para o perigo que corre a vida humana, o futuro dos nossos filhos e netos, pouco me importando vencer ou perder esse pleito, a propósito o discurso que gravei começa assim:
EU NÃO QUERO QUE VOCÊ ME ELEJA, EU QUERO QUE VOCÊ ME ESCUTE, e não da forma mutilada, censurada que o “comando” mandou para a exibidora. Estou fora do ar e ninguém sequer me atende. Seria isto de fato uma eleição ou uma corrida do saco, uma rinha de galos onde árbitros corruptos decidem quem ganha, quem morre?
Contando com seus habituais sensos de justiça e honestidade aguardo providências antes que acabe a campanha.
Atenciosamente,
Moacyr FrancoMílton Jung é jornalista, âncora do programa CBN São Paulo, idealizador do Adote um Vereador e autor dos livros "Conte Sua História de São Paulo" e "Jornalismo de Rádio".
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Saiba quem você pode acabar elegendo ao votar no palhaço Tiririca
DE SÃO PAULO
Com uma candidatura ao Legislativo que --entre as bizarras-- conseguiu a maior repercussão até agora, é natural que Francisco Everaldo Oliveira Silva, 45, o Tiririca, esteja feliz da vida. Sua campanha atinge com frequência o topo dos "assuntos quentes" no Twitter e seus vídeos passeiam pela casa dos milhões de acessos no YouTube. Mas não é só ele que tem motivos para comemorar esse fenômeno dentro da sua coligação.
A exemplo de Paulo Maluf (PP), Tiririca é o "puxador de votos" de seu partido, o PR. Ambos ganharam espaços de destaque na TV e números de fácil assimilação (1111, para o candidato considerado 'ficha suja' pelo TRE-SP, e 2222, para o palhaço). A ideia é que uma votação expressiva ajude seus respectivos partidos a levarem outros correligionários para Brasília.
| Divulgação | |||||
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| Na esteira do "pior que tá não fica", candidato Tiririca foi escalado como "puxador de votos" do Partido da República |
Para o analista político Fernando de Barros e Silva, Tiririca funciona como um "biombo". "Atrás dele, vão os verdadeiros artistas do circo fisiológico", escreveu em sua coluna na Folha, na última semana.
Isso ocorre por conta do critério da proporcionalidade previsto pela legislação eleitoral. O número de vagas de cada partido é definido pelo quociente eleitoral --a soma de votos dos candidatos e da legenda dividida pelo número de vagas a que cada Estado tem direito. Desta forma, o sistema proporcional cria a possibilidade de parte das vagas no Legislativo serem preenchida por candidatos que receberam volume de votos nominais pífio.
O exemplo mais famoso ocorreu em 2002, quando Enéas Carneiro (1938-2007), do extinto Prona, conseguiu levar consigo cinco candidatos. Entre eles figurava Vanderlei Assis (275 votos nominais), depois condenado pelo TRE por inscrição fraudulenta.
Dependendo do volume de votos de Tiririca no dia 3 de outubro, o pleiteante fantasiado pode ajudar a eleger os seguintes políticos que também disputam uma vaga pelo PR-SP:
| Caio Guatelli/Folhapress |
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| Alan Marques/Folhapress |
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| Reprodução |
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| Divulgação |
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| Divulgação |
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| Divulgação |
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As propostas de Tiririca
Em entrevista à Folha publicada na semana passada, Tiririca foi questionado sobre os projetos que pretende levar à Câmara. "De cabeça, assim, não dá pra falar", justificou. Ele também negou que, caso eleito, vá andar fantasiado por Brasília.
Na TV, o candidato cearense evita fazer promessas complexas. A mais famosa até agora se resume a contar ao eleitorado o que, afinal, faz um deputado federal --mas, só depois de eleito. Para saber o que faz um deputado federal, clique aqui.
Embora diga no horário eleitoral gratuito que, se eleito, pretende ajudar "inclusive" sua família, Tiririca já foi destaque de páginas policiais em um caso violência doméstica. Em 1998, o palhaço foi levado de camburão à 6º Delegacia Seccional de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, acusado de agredir a tapas Rogéria Mariano da Silva, sua mulher. Mais tarde, ela retirou a queixa.
Da Folha.com
sábado, 28 de agosto de 2010
Marta quer Constituinte exclusiva para reforma política
Os próprios adversários parecem certos de que a primeira vaga é dela, tanto que pregam o segundo voto: “eu continuo trabalhando como se tivesse em último”, falou para em seguida disparar uma série de locais que visitaria nessa sexta. Ouvidos mais apurados diriam que apesar deste cuidado ela se traiu ao dizer mais a frente que já se “sente Senadora” – mas poderia ser apenas uma referência ao fato de ser candidata a Senadora.
No ar fez questão de afirmar que não pretende ser ministra se Dilma Roussef vencer a eleição para presidente: “já avisei lá”. Para Dilma ? Não, lá onde interessa. Entendi, para o presidente Lula.
Fora do ar fez outra confidência. A prefeitura é uma página virada, apesar de algumas vezes pensar como é bom comandar a cidade de São Paulo: CEU, corredor de ônibus, bilhete único, citou entre algumas realizações.
Puxando o traço, se eleita será Senadora por São Paulo, até provem o contrário.
Como prioridade, reforma política e tributária.
Na primeira, gostaria de mudar o tamanho das bancadas estaduais na Câmara dos Deputados e acabar com esta história de suplente de senador ser eleito sem voto. Defendeu, inclusive, uma constituinte exlcusiva para debater o tema.
Sobre a segunda, comentou da possibilidade de rever a distribuição de verbas federais para o estado de São Paulo que gera a maior parte dos impostos.
Foi preparada para o programa. Com o registro do TRE e a cópia da movimentação financeira da campanha em mãos, sequer deixou eu terminar a pergunta sobre ela não estar cadastrada no site do Ficha Limpa: “não vou me cadastrar” e “vou cumprir a lei eleitoral”. Ou seja, não vai dar ao eleitor o direito de saber antes da votação quem são os doadores da campanha dela.
Marta ensaiou uma explicação: as empresas é que pediriam para o nome delas não ser divulgado agora pois temem que haja fila de candidatos e partido com o pires na mão. Assim, como a maioria dos candidatos ao Senado, prefere manter o compromisso com os doadores da campanha.
Aos que defendem a transparência absoluta nas contas da campanha, resta esperar mudanças na lei eleitoral. Enquanto estas não veem, a receita é a mesma da candidata: calma e caldo de galinha. O Trimedal deixa que eu tomo.
Mílton Jung é jornalista, âncora do programa CBN São Paulo, idealizador do Adote um Vereador e autor dos livros "Conte Sua História de São Paulo" e "Jornalismo de Rádio".
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Candidato ao senado Netinho de Paula (PC do B) comete mais um "equivoco"
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Cláusula do “veja bem” afasta candidato do Ficha Limpa
Uma carta foi enviada a todos os candidatos a presidência da República para eles não esquecerem de se cadastrar no site Ficha Limpa. A lembrança foi necessárias porque apesar de toda a publicidade em relação ao serviço que está no ar há duas semanas, nenhum deles se inscreveu até agora.
O problema talvez não seja de memória. E, sim, da cláusula do “veja bem”.
Para se inscrever no Ficha Limpa é preciso apresentar um documento, o de registro da candidatura no TRE, e três declarações: de que não tem condenação em outros Estados, não renunciou a mandato para evitar cassação e – aqui mora o perigo – o que assume o compromisso de publicar na internet a prestação de conta da campanha, semanalmente, com o nome dos doadores, valores recebidos e gastos realizados.
O registro no Tribunal, é simples, pois somente com ele pode disputar o cargo. Basta tirar uma cópia e enviar. A declaração de que nada deve para a Justiça, a maioria pode assinar. Mas a declaração de que vai tratar com transparência as doações na campanha, “veja bem” é preciso …. ou, não tenho como …. ou, as empresas não querem … ou, qualquer outra desculpa que surgir na hora afasta o candidato do site.
Por isso, levantamento apresentado, hoje, pelo Instituto Ethos, que integra o Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral, mostra que apenas 35 candidatos estão cadastrados no site Ficha Limpa, dos quais apenas dois concorrem a governador: Fernando Gabeira (PV/RJ) e Soraya Tupinambá (PSOL/CE). Ao Senado, são seis, a Câmara dos Deputados, 27.(A lista completa aqui)
Há uma lista de 75 pedidos ainda não aceitos pelos organizadores, pois as informações enviadas estão sendo analisadas. Desde o início do projeto, houve seis denúncias de candidatos cadastrados que não estavam atualizando as contas na internet, mas assim que foram cobrados, os candidatos colocaram as informações em dia. Ninguém foi descadastrados, até agora.
Ainda não chegaram os documentos do candidato Netinho de Paula, que concorre ao Senado pelo PC do B, e se comprometeu publicamente, durante entrevista ao CBN São Paulo, de se cadastrar no Ficha Limpa. Veja bem …
A adesão não é pequena até agora ?
“Eu já esperava”, disse Oded Grajew do alto de seu cabelo e barba brancos, sentando na parte central de uma enorme mesa, ao lado de mais dois ou três integrantes do movimento de combate à corrupção eleitoral. Aos jornalistas que almoçavam a convite do Ethos e se pautavam nas informações servidas, Oded disse que o ideal será o dia em que haverá tantos candidatos dispostos a se inscrever no Ficha Limpa que o serviço não será mais necessário.
Melhor a gente ir para o cafezinho, por que vai demorar.
Mílton Jung é jornalista, âncora do programa CBN São Paulo, idealizador do Adote um Vereador e autor dos livros "Conte Sua História de São Paulo" e "Jornalismo de Rádio".
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Ficha limpa em 2010
Por Antônio Augusto Mayer dos Santos
Em resposta a uma Consulta formulada por um Congressista, na sessão do dia 17 de junho, os Ministros que formam o Tribunal Superior Eleitoral decidiram que as regras da vulgarmente denominada Lei da Ficha Limpa deverão ser aplicadas nas Eleições 2010, inclusive para os casos de condenação anteriores à vigência da lei. Ou seja: o que consta da lei se aplica aos casos concretos que surgirem no âmbito da Justiça Eleitoral.
A LC 135/10, que pelo visto será conhecida e referida pela maioria como Lei da Ficha Limpa, estabelece, em síntese, que candidatos que tiverem condenação (criminal, eleitoral ou cível) por órgão colegiado, ainda que caibam recursos, ficarão impedidos de obter o registro de candidatura, pois serão considerados inelegíveis. Ou seja: ainda que a decisão seja de primeira instância, se esta for colegiada, a mesma determinará que o condenado possa continuar votando mas não ser candidato.
Nesta decisão, a tese de interpretação vencedora foi a do relator, Ministro Arnaldo Versiani, o qual manifestou o entendimento de que não se trata de retroatividade e sim de aplicação da lei, exatamente nos termos do que fora debatido e aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente da República.
O argumento se sustenta, eis que a lei nova, tanto quanto a anterior, não é de natureza penal. Portanto, ainda que contendo disposições e punições bastante severas, pode regulamentar situações pretéritas. Além disso, “vida pregressa”, no sistema jurídico brasileiro, é uma situação dúplice, que abrange antecedentes sociais e penais, sendo, por isso mesmo, de consideração necessária a presunção de não-culpabilidade (ou de inocência, como referem alguns) prevista na Constituição Federal.
Quanto mais não fosse, na própria exposição dos motivos da edição da Lei Complementar nº 64, de 1990, agora alterada e endurecida, consta que “o objetivo primacial da presente propositura é estabelecer limites éticos de elegibilidade, especialmente no que diz respeito ao exercício do poder; à influência do comando sobre comandados; ao poder de império dos controladores do dinheiro público; ao uso dos meios de comunicação de massa; e aos efeitos espúrios do poder econômico por parte dos que postulam funções eletivas e o exercício da administração pública”.
A posição do TSE foi firmada por maioria de votos, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Marcelo Ribeiro. O Ministro Marco Aurélio, que recentemente completou 20 anos de magistratura no STF, votou invocando o respeitável entendimento de que uma lei que altera o processo eleitoral não pode ser aplicada exatamente à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência, conforme determina o artigo 16 da Constituição Federal (entretanto, a jurisprudência consolidada no STF está em sentido oposto a este). O Ministro afirmou também que uma lei nova, em regra, não pode reger situações anteriores.
Portanto, em vista de que a decisão do TSE pode ter contrariado o texto da lei examinada, eis que uma emenda do Senador Francisco Dornelles (RJ) consagrou a expressão “os que forem condenados”, a matéria pode ser remetida ao Supremo Tribunal Federal. Caso não seja, os Governadores de Estado cassados entre 2008 e 2009 não poderão concorrer a nada em 2010, mesmo que a muito condenados e afastados de seus cargos. Contudo, em situação ainda mais dramática ficam os Vices, que são condenados, salvo se não incorreram em infração eleitoral, apenas porque integram a chapa majoritária.
Em resumo: o tema é juridicamente relevante e complexo, podendo refletir em mandatos obtidos na eleição de outubro próximo, para qualquer cargo em disputa.
Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.
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