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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Vereador dobra seu patrimônio e diz que ganhou na loteria

DIÓGENES CAMPANHA / PAULO GAMA DE SÃO PAULO


O vereador paulistano que teve a maior evolução patrimonial nos últimos quatro anos, em valores absolutos, credita parte de seu enriquecimento a três bilhetes de loteria premiados.

Wadih Mutran (PP) dobrou sua riqueza entre 2008, quando declarou ter R$ 1,9 milhão à Justiça, e 2012, quando informou R$ 3,8 milhões.

No intervalo, afirma, ganhou R$ 600 mil na loteria federal, em 2009. "Era uma trinca. Três bilhetes, cada um com prêmio de R$ 200 mil."

O vereador diz ter usado o dinheiro para comprar dois apartamentos na zona norte, por R$ 400 mil e R$ 360 mil.

Outro item que chama atenção em sua declaração de bens é a quantidade de dinheiro que diz guardar em espécie. Eram R$ 260 mil em 2008 e hoje é R$ 1,4 milhão.

Mutran diz que o valor é proveniente de aplicações e "negociações" e usado para ajudar familiares.

A evolução patrimonial de Mutran, de quase R$ 2 milhões, é responsável por 25% do que os 53 vereadores paulistanos que buscam a reeleição em outubro declararam ter enriquecido. No total, o valor dos bens informados por eles saltou de R$ 33,7 milhões para R$ 41,5 milhões --quase R$ 8 milhões a mais.

Quatorze parlamentares mais do que dobraram seu patrimônio desde 2008.

Em termos percentuais, quem teve maior aumento foi Quito Formiga, do PR. De 2008 a 2012, seu patrimônio saltou de R$ 16,6 mil para R$ 622,4 mil, alta de 3.649%. Ele recebeu herança da mulher.

O segundo na lista é Claudio Fonseca, do PPS. Seu patrimônio, que em 2008 era de R$ 169 mil, hoje é de R$ 1 milhão. A maior variação ocorreu em suas aplicações financeiras, que saltaram de R$ 28 mil para R$ 712 mil.

Em termos absolutos, quatro vereadores tiveram evolução superior a R$ 1 milhão. Além de Mutran, são eles: Sandra Tadeu (DEM), que incorporou R$ 1,7 milhão ao patrimônio, Aurélio Miguel (PR), com R$ 1,1 milhão, e Marco Aurélio Cunha (PSD), também com R$ 1,1 milhão.

Contatada pela Folha, Tadeu não respondeu. Miguel diz que o aumento se explica "majoritariamente" pelo recebimento de herança e pela venda de um imóvel. Cunha diz que a evolução é compatível com suas atividades.

Doze dos que tentam a reeleição declararam à Justiça guardar, no total, R$ 2,5 milhões em dinheiro vivo. Além de Mutran, os dois que mais acumulam quantias em espécie são Antonio Carlos Rodrigues (PR) e Juscelino Gadelha (PSB), com R$ 360 mil e R$ 280 mil respectivamente.

Ambos dizem que a medida tem como objetivo facilitar o uso dos recursos na campanha. Em 2010, ao menos 16 candidatos majoritários disseram ter dinheiro em espécie, Dilma Rousseff entre eles.

OUTRO LADO

Os vereadores candidatos à reeleição que mais aumentaram seu patrimônio desde 2008 dizem que não há irregularidade na evolução e que ela foi comunicada à Receita.

Aurélio Miguel (PR) diz que além do salário como vereador, tem "rendimentos variados" de atividades como "compra, venda e locação de imóveis, palestras e participação em eventos, além dos ganhos de capital". "O vereador carrega nas veias o sangue de empreendedor", afirma nota de sua assessoria.

Diz ainda que no período ganhou um prêmio de R$ 200 mil em um programa do SBT.
Marco Aurélio Cunha (PSD) afirmou que o crescimento se deve à compra de um apartamento de R$ 1,3 milhão, com o dinheiro da venda de outro imóvel, financiado.

Ele diz que a evolução é compatível com as atividades que exerce --além da remuneração como vereador, recebe como médico e, até 2011, ocupava a superintendência de Futebol do São Paulo.

Quito Formiga (PR) diz que ganhou herança de sua mulher, que morreu durante o mandato. Claudio Fonseca (PPS) diz que o valor cresceu porque ele passou a especificar quanto tinha nas aplicações financeiras, o que, alega, não era exigido em 2008.

Matéria publicada originalmente na Folha de S.Paulo

domingo, 29 de maio de 2011

Em SP, sigla tenta reaver mandato de vereadores

Fernando Gallo - O Estado de S.Paulo
Advogados do PSDB protocolaram na Justiça um pedido para tentar reaver o mandato dos seis vereadores de São Paulo que deixaram o partido no mês passado.
O presidente municipal da legenda, Julio Semeghini, afirmou que a representação foi entregue ao Judiciário nesta semana. Segundo ele, trata-se de uma decisão partidária contra Gilberto Natalini, José Police Neto, Dalton Silvano, Ricardo Teixeira, Juscelino Gadelha e Souza Santos, os dissidentes.
O pedido tucano tem base em decisões de 2007 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) segundo as quais os mandatos pertencem aos partidos, e não aos parlamentares.
"Não tem nada pessoal. Estamos apenas cumprindo o processo político dentro dos prazos judiciais", afirmou. "Muita gente votou na legenda na capital. São pessoas que queriam votar no PSDB. Entendemos que os mandatos são do partido."
Os vereadores, que não tinham sido notificados do pedido tucano até terem sido procurados pelo Estado, disseram receber a notícia sem surpresa.
"Como retribuição, eu devia pedir ao PSDB que me devolva os 23 anos de dedicação integral, ética, correta, que dediquei ao partido", afirmou Natalini. "O tamanho da perseguição odiosa que fizeram com a gente não acaba. Isso é rancor político."
Silvano disse que os dissidentes já têm pronta a linha de defesa, apontando supostas discriminações contra o grupo cometidas PSDB-SP. Segundo ele, o partido inverte a lógica e tenta se passar por vítima.
"Pedir os mandatos é algo previsto na legislação. Entretanto, acho que eles estão querendo se considerar vítimas do ponto de vista partidário, quando, na verdade, as vítimas somos os seis que deixaram o partido."
Police Neto, presidente da Câmara Municipal, disse apenas que recebia a decisão com tristeza e que não faria outros comentários. "Não vou falar mais do PSDB porque não estou mais lá."
Especialistas consultados pelo Estado avaliaram que dificilmente o PSDB conseguirá os mandatos de volta. De acordo com eles, há brechas na lei da fidelidade partidária, como a que trata de "discriminação pessoal" e a que permite a troca do partido por outro recém-fundado.
Além disso, dizem, a jurisprudência tem mostrado que são raras as ocasiões em que os tribunais eleitorais veem ilegalidade na troca de legenda.
A saída dos vereadores iniciou uma crise que culminou na demissão do vice-governador do Estado, Guilherme Afif, da pasta estadual do Desenvolvimento por ter trocado o DEM pelo PSD de Gilberto Kassab. 

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