quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Padre é repreendido por falar de corrupção no interior de SP

Matéria publicada originalmente pelo Estadão.com.br

Chico Siqueira - Especial para o Estado 

Onze vereadores, todos alvos de ações por peculato, formação de quadrilha e falsidade; aprovaram moção de repúdio contra o religioso

 

O padre Maximiliano Pelarin Neto, da Igreja São Francisco Xavier, de Pereira Barreto, foi repreendido pela Câmara Municipal e denunciado ao seu bispo por fazer sermões, nas missas de fim de ano, condenando a prática de irregularidades no legislativo do município. Nove dos 11 vereadores da Câmara aprovaram uma moção de repúdio endereçada ao bispo pedindo punição ao padre, por acusá-los sem provas e de fazer discurso político em local impróprio.

Todos 11 vereadores de Pereira Barreto e 13 funcionários da Câmara - entre eles o diretor-geral, que foi afastado-- são acusados pelo Ministério Público de manter um esquema de funcionalismo fantasma na Casa por um ano. Eles respondem a 13 ações civis públicas, por improbidade administrativa, e a três ações criminais, por formação de quadrilha, falsidade ideológica e peculato.

"Eles criaram cargos de confiança e ainda forjaram controle de frequência para constar presença dos servidores que não compareciam ao trabalho", explicou o promotor de Justiça Robson Alves Ribeiro, autor das ações, que cobram R$ 1,6 milhão a título de valores corrigidos com devolução, multas e danos causados ao erário público.

O padre disse que não citou nomes e não acusou nenhum dos vereadores de corrupção. "Quem está com a investigação é o Ministério Público, mas também é minha missão como sacerdote, colocar a população ao par da situação", afirmou o padre.

O presidente da Câmara, Laerte Venâncio Alves (PR), diz que a moção é contra o padre "por falar de política em um lugar destinado à oração". Além disso, segundo o vereador, nenhuma das ações foi julgada até agora.

"Ele deveria esperar a sentença para dizer que os vereadores são desonestos e que há corrupção na Câmara", disse Alves, embora a Justiça tenha exonerado 11 assessores e bloqueados os bens dos acusados para garantir o ressarcimento ao erário.

O bispo de Jales (SP), dom Luiz Demétrio Valentini, informou que espera o padre retornar das férias para falar com ele sobre o assunto e só depois disso pretende comentar o assunto com a imprensa. O caso ganhou repercussão na cidade, onde centenas de moradores, fizeram uma grande carreata em 3 de janeiro, de apoio aos sermões políticos do padre nas missas. "O padre tem toda a razão de falar sobre este assunto com seus fiéis", disse o comerciante Roberto Oliveira, dono de uma pequena loja no centro da cidade.

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