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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Subcelebridades tentam repetir o efeito Tiririca

Sem reduto eleitoral nem experiência política, eles sonham transformar fama em votos

Débora Álvares, de O Estado de S.Paulo
Nomes conhecidos antes de assumirem carreira política, como Agnaldo Timóteo, Netinho de Paula, Adilson Amadeu e Aurélio Miguel ocupam hoje uma cadeira na Câmara Municipal. Em outubro, nova leva de subcelebridades tentará uma vaga no Legislativo. O fenômeno iniciado nos anos 80, que transformou em vereadores os ex-jogadores Biro-Biro e Ademir da Guia e o boxeador Eder Jofre, se repete a cada nova eleição e ganhou ímpeto após o efeito Tiririca, em 2010.
Marquito, Sonrisal, Mulher Pêra, Serginho e Marcos Oliver - André Lessa/AE
André Lessa/AE
Marquito, Sonrisal, Mulher Pêra, Serginho e Marcos Oliver
Entre as personalidades em campanha neste ano há nomes conhecidos e renomados no esporte, na música e na televisão, mas também pessoas que desfrutaram seus 15 minutos de fama e vão tentar a sorte. A maioria coloca questões como segurança, educação, creches e emprego entre as melhorias necessária, sem no entanto apresentar grandes projetos para a cidade.
Este tipo de candidatura se tornou estratégia dos partidos para conquistar mais cadeiras - manobra possível graças ao sistema de eleição proporcional. É essa a arma do presidente municipal do PTB em São Paulo, Campos Machado, que aposta na candidatura de Marco Antônio Ricciardelli, conhecido pelo personagem que representa no Programa do Ratinho, o Marquito. Ele é uma saída para ampliar a participação da sigla, hoje com três cadeiras na Casa. Sem acompanhar assuntos da política, nem saber detalhar o trabalho de um vereador, o humorista fala com confiança. "Não adianta dizer que sei de política, mas tenho boa assessoria."
Suellem Aline Mendes Silva é o nome de batismo, mas todos a conhecem como Mulher Pêra. Apesar de só ter 25 anos, esta é a segunda vez que ela tenta se eleger - em 2010, tentou uma vaga de deputada estadual pelo PTN. Saindo desta vez pelo PT do B, ela não dispensa decotes e saias curtas. "Não acompanho política, mas, se eu for eleita, vou descobrir como é."
Também em sua segunda eleição, Mauricio Bonatti, de 49 anos, apresenta-se com o apelido pelo qual é chamado desde os 8 anos - Sonrisal, seu personagem no programa A Praça é Nossa. Em 2010, ele tentou se eleger deputado estadual pelo PPS, mas recebeu apenas 5,5 mil votos. Filiado ao PHS, ele aposta em projetos voltados para a comunidade carente.
É o mesmo caminho usado pelo protagonista do programa Teste de Fidelidade, Marcos Flávio de Oliveira Roberto, o Marcos Oliver (PSDB). "Quem debocha e critica é porque não teve a oportunidade de me conhecer, e é isso que quero."
Participante do Big Brother Brasil de 2010, Sergio Luiz de Barros Franceschini, ou apenas Serginho, de 27 anos, admite também que vai usar a fama para tentar ser vereador. A luta política será pela busca de igualdade e pela criminalização da homofobia. Os cantores Ângela Maria, Kiko, do KLB, e os jogadores de futebol Dinei e Marcelinho Carioca engordam a lista dos que disputarão o voto do eleitorado.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ex-BBBs, jogadores de futebol, dançarinas e até o filho do Tiririca disputam a preferência dos eleitores em 2012


Aiuri Rebello e Gil Alessi
Do UOL, em São Paulo
Entra eleição, sai eleição, jogadores de futebol, pagodeiros, funkeiras e músicos de todas as vertentes, dançarinas, atores, comediantes, apresentadores de TV, ex-BBBs (participantes do programa de TV Big Brother Brasil) e qualquer um que se enquadre na definição moderna de “celebridade” ou “famoso” engordam a lista dos candidatos que tentam a sorte nas urnas.  Muitas vezes conseguem se eleger, mesmo sem plataformas claras para seus mandatos.
Em 2012, este fenômeno deve se repetir com força total. Inspiradas pelo sucesso do deputado federal mais votado do país em 2010, Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), mais conhecido como o palhaço Tiririca, várias celebridades, veteranas e novatas em eleições, já confirmaram que serão candidatas neste ano.
O filho de Tiririca, Everson de Brito Silva, mais conhecido com o palhaço Tirulipa, é um deles. Filiado ao PSB desde 2011, tentará agora em 2012 uma cadeira na Câmara Municipal de Fortaleza. “Cada um tem sua opinião. Meu pai foi alvo de críticas durante toda sua campanha, e hoje ele mostra seriedade. Não faltou em nenhuma sessão da comissão dele”, diz. “Vou realizar trabalhos na área de cultura. Tenho um circo itinerante, já fazemos um trabalho social nos bairros que visitamos”, afirma o palhaço.
Vera Chaia, professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e pesquisadora do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico),  enxerga o fenômeno com ressalvas. “É um jeito de obter votos, um chamariz para o partido, já que estes candidatos geralmente não tem nada a dizer, não tem proposta politica”, diz. “Existem, no entanto, exceções. O Tiririca, por exemplo, surpreendeu. Esta na comissão de educação, nunca perdeu uma sessão. O Romário é outro, tem sido bem crítico com os desmandos da Fifa em relação à Copa do Mundo no Brasil; e o Jean Willis [ex-BBB], que sempre teve um envolvimento político e continua com esta militância”, afirma a professora.
“O problema não é o candidato celebridade em si, mas a legislação, que permite que eles puxem outros candidatos que não obtiveram votos suficientes, o que gera uma certa distorção”, diz Vera.
Para o professor Octaciano Nogueira, da UnB (Universidade de Brasília), a falta de cultura cívica do brasileiro explica a eleição destes candidatos, que considera um fenômeno de despolitização. “O eleitor brasileiro não sabe discernir as qualidades necessárias para que um candidato seja um bom político. O eleitor não tem critério”, diz.
Segundo o professor, a falta de interesse e participação dos cidadãos na política e na vida pública explica o fenômeno, que não é recente. “Nos anos 1950, São Paulo elegeu um rinoceronte como vereador, o Cacareco”, afirma Nogueira. “Acredito que o maior desafio cívico do Brasil hoje é justamente criar esta consciência de participação na vida política. O eleitor, quando quer desmoraliza as eleições com este tipo de voto inusitado, consegue. Só que isto não é bom para o país”, afirma Nogueira.
“Não podemos ter preconceito. Às vezes dá certo, como no caso do Tiririca”, diz. “Mas geralmente dá errado e o resultado é isso [esta câmara] que temos aí.”
Puxadores de voto
O lançamento dessas candidaturas para cargos legislativos é uma estratégia dos partidos para conseguir eleger políticos profissionais através do coeficiente eleitoral. As eleições para vereador, deputado federal e deputado estadual são proporcionais. Isso significa que para eleger um candidato, o partido deve atingir um número específico de votos, que varia de acordo com a cidade ou estado.
 Assim, os candidatos que recebem mais votos que o necessário para se eleger transferem para os outros candidatos do partido os votos excedentes. Logo, celebridades conhecidas são potenciais puxadores de voto.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com o PR de São Paulo nas eleições de 2010. Tiririca se elegeu deputado federal pela legenda com 1.353.367 votos.
Como o coeficiente eleitoral no Estado era de 304.533 votos, ele transferiu 1.048.834 de votos para o partido e ajudou a eleger outros três candidatos da coligação. Entre eles, o deputado federal Valdemar Costa Neto (PR), que em 2005 renunciou ao mandato em meio a acusações de envolvimento no escândalo do mensalão.
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