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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Propaganda volta às ruas de São Paulo com anúncio de cerveja

EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO


Seis anos e três meses após o início da vigência da Lei Cidade Limpa, coube a uma marca de cerveja abrir caminho para a volta da publicidade nas ruas de São Paulo.

Desde a última segunda-feira, cartazes da Brahma, uma das marcas da Ambev, surgem instalados pela cidade ao lado dos novos abrigos em pontos de ônibus.

A empresa escolheu algumas das regiões consideradas mais nobres da capital --Itaim Bibi, Jardim Paulista e Perdizes, todas na zona oeste, e Moema, na zona sul-- para "reinaugurar" a propaganda no mobiliário urbano, embora já existam novos abrigos também em áreas tidas como menos nobres --Cambuci, Santa Cecília e Liberdade, todas na região central de São Paulo, por exemplo.

Ao todo, a empresa Otima, responsável pelos espaços, prevê instalar 6.500 novos abrigos na cidade até 2015, sendo 1.400 só neste ano -até agora, 97 estão prontos ou em processo de instalação.

A Otima --novo nome do consórcio Pra SP, formado por Odebrecht, Rede Bandeirantes, Kalitera Engenharia e APMR-- vai gastar cerca de R$ 300 milhões para instalar os abrigos, pagando R$ 167 milhões à prefeitura pelo direito de explorar a publicidade nos espaços por 25 anos.

Propaganda volta às ruas de São Paulo

Cartaz de cerveja em ponto de ônibus em São Paulo; 6 anos após Lei Cidade Limpa, 
locais começam a receber propaganda
Nesse período, o que for arrecadado com os anúncios publicitários é do consórcio.

Também haverá propaganda nos relógios de rua. Serão mil ao todo na cidade, sob controle do grupo formado pela francesa JCDecaux e a brasileira Publicrono. Os novos relógios começam a chegar às ruas no mês que vem.

A arquiteta Regina Monteiro, uma das pessoas que ajudou a criar da Lei Cidade Limpa, que entrou em vigor em janeiro de 2007, disse que a publicidade no mobiliário urbano estava prevista desde que a propaganda foi abolida, mas a falta de critérios pode prejudicar a cidade.

Até dezembro, Regina Monteiro era responsável pelo setor de proteção da paisagem urbana da prefeitura.

"A ideia era espalhar a mídia exterior pela cidade para não saturar a paisagem com publicidade. Tenho medo de que as pessoas entendam isso [a volta da propaganda] como jurisprudência", afirmou.

O corpo técnico que julgaria os espaços publicitários a serem explorados foi desfeito pela atual gestão e a diretoria de paisagem urbana da SP Urbanismo, extinta.

Sem critérios técnicos, diz Regina, pode ocorrer uma disputa pela paisagem urbana, se a marca no mobiliário ofuscar a publicidade permitida nas fachadas de prédios.

Matéria publicada pela Folha de S.Paulo

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Novos relógios com propaganda serão instalados em maio em SP

EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO

São Paulo não tem mais relógios de rua. Todos os 296 que existiam até o fim do ano passado foram retirados.

Em alguns locais, como na avenida Paulista, em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo), há placas com a informação de que os novos já estão em instalação.
Mas não é bem assim.

Somente em maio a JCDecaux --multinacional francesa que venceu a licitação da prefeitura para cuidar dos relógios-- vai começar a instalar os novos equipamentos.

De acordo com a empresa, os mil novos relógios de rua serão instalados até dezembro. Além da hora e da temperatura, como acontecia com os antigos, os equipamentos vão mostrar a qualidade do ar e informações de trânsito.

Editoria de Arte/Folhapress

Também terão propaganda. É a volta da publicidade às ruas de São Paulo.

Ainda não está decidido em quais locais os relógios serão instalados. A JCDecaux já escolheu os locais onde pretende colocar os equipamentos, mas o plano precisa ser aprovado pela prefeitura.

A empresa aguarda a aprovação para apresentar ao mercado publicitário seu plano de mídia.

As avenidas que mais interessam ao mercado publicitário --Paulista, Faria Lima e Juscelino Kubitschek, por exemplo-- devem ter um relógio a cada 200 metros. É a distância mínima exigida.

Danilo Verpa/Folhapress
Aviso de instalação de relógios na avenida Paulista, no centro de São Paulo
Aviso de instalação de relógios na avenida Paulista, no centro de São Paulo

Os relógios foram projetados pelo arquiteto Carlos Bratke. Em alguns locais, como parques, terão design diferente, com projeto de Ruy Ohtake.

A cidade também vai ganhar 7.000 abrigos em pontos de ônibus. O primeiro foi instalado no fim do ano passado na praça Ramos de Azevedo. Os demais só devem começar a chegar às ruas em março.

O consórcio Pra SP --liderado pela Odebrecht-- é o responsável pelos abrigos, que também terão propaganda.

A empresa informou que a prioridade será trocar os abrigos do centro expandido, que estão mais deteriorados.

Haverá quatro modelos de abrigos, que terão, além da propaganda, dados sobre de trajeto e horário das linhas que passam pelo local.

Matéria publicada originalmente no Jornal Folha de S.Paulo

quinta-feira, 19 de julho de 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Em ano eleitoral, SP ganha 650 novos relógios de rua e 2 mil abrigos

Equipamentos públicos estão sucateados há 4 anos; concessionários poderão instalar publicidade de até 4 metros fora de abrigos de ônibus

Diego Zanchetta; Rodrigo Burgarelli - Estado de S.Paulo
Relógio de rua danificado na Avenida Rebouças; equipamentos estão sucateados há 4 anos - Marcio Fernandes/AE-22/09/2011
Marcio Fernandes/AE-22/09/2011
Relógio de rua danificado na Avenida Rebouças; equipamentos estão sucateados há 4 anos
Em ano eleitoral, a Prefeitura de São Paulo vai ter 650 novos relógios de rua e 2 mil abrigos de ônibus serão reformados. O decreto que regulamenta como deve ser a volta da publicidade no mobiliário urbano da capital paulista, quatro anos após a chegada da Lei Cidade Limpa, foi publicado hoje pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD). Além de render cerca de R$ 42 milhões mensais aos cofres municipais pelos próximos seis anos, a licitação repagina equipamentos públicos que estão sucateados há mais de quatro anos.
No decreto, o prefeito fez uma mudança em relação à lei aprovada pelos vereadores em 2011: o concessionário poderá instalar um painel publicitário de até 4 metros fora da área do abrigo de ônibus. Pela legislação original, essa publicidade deveria ficar no abrigo ou no totem indicativo da parada do coletivo. A distância mínima dos relógios digitais será de 200 metros.
As zonas oeste, sul e leste vão receber 150 relógios cada na divisão dos relógios feita pelo decreto. As zonas norte e a região central vão ter cem relógios cada. Há mais de quatro anos a maior parte dos relógios de rua da capital está quebrada – e muitos que funcionam informam temperatura e horários errados. Prometida em dezembro de 2007 pelo prefeito e prevista para ocorrer até o final de se primeiro mandato, em 2008, a licitação do mobiliário urbano só vai do papel agora, quatro anos depois.
Embelezamento. Outras medidas que visam "embelezar" as ruas da cidade também estão saindo do papel justamente este ano, quando Kassab tentará eleger seu sucessor ao cargo de prefeito de São Paulo. Um exemplo é o novo modelo de varrição, que, ao preço de quase R$ 1 bilhão por ano, aumentou em 20% o volume de lixo coletado por dia na cidade - passou de 1,6 mil toneladas/dia para 1,9.
Além disso, a cidade deverá ganhar mais de 150 mil novas lixeiras, que terão de ser mantidas em funcionamento pelas empresas responsáveis por esse contrato. A terceirização da manutenção desses equipamentos, que também vai atingir os abrigos de ônibus e os relógios de rua, é a aposta do prefeito para mantê-los conservados e funcionando ainda no primeiro semestre, antes das eleições.

domingo, 4 de setembro de 2011

Temperatura? Não olhe os relógios de SP

Mesmo no frio dos últimos dias, muitos marcam mais de 30°C. E não há prazo para melhorar
Foto: Portal G1
Diego Zanchetta - O Estado de S.Paulo
Quem tentou informar-se sobre as mudanças bruscas de temperatura em São Paulo nos últimos dias pelos relógios de rua acabou ficando ainda mais confuso. Deteriorados, sem manutenção e muitos apagados, os relógios apontam calor quando está frio e vice-versa. Alguns indicavam 32º C no início da manhã de anteontem, quando a maior parte das pessoas estava de casacos e a temperatura oficial era de 12º C.
E, mesmo diante do estado precário de parte dos 295 equipamentos espalhados pela capital, o prefeito Gilberto Kassab (sem partido) renovou por mais um ano, ao custo de R$ 1 milhão, o contrato com a empresa que administra os relógios. O aditivo foi publicado ontem no Diário Oficial da Cidade e prevê que a Buldogue Comunicação faça a manutenção dos relógios por mais um ano.
Dezenas deles estão sem funcionar há meses. O problema se arrasta desde o início da Lei Cidade Limpa, em fevereiro de 2007. Com o fim da exploração da publicidade nos aparelhos, as empresas argumentam não ter dinheiro para cobrir custos de manutenção. O vandalismo contra os aparelhos é outra justificativa.
Pelo contrato com a Prefeitura, a Buldogue recebe R$ 277 mensais para colocar cada relógio em funcionamento. A empresa não se manifestou ontem, mas seus representantes têm argumentado ao governo que a verba não cobre os custos de manutenção dos equipamentos.
Obsoletos. O próprio governo admite que "esses relógios são antigos e de tecnologia obsoleta". Segundo nota da Prefeitura, "o processador do relógio é o mesmo do videogame Atari e não possui peças para reposição no mercado, por isso muitas vezes a recuperação de uma unidade leva bastante tempo".
A Prefeitura diz que ainda aguarda aprovação da Lei do Mobiliário Urbano na Câmara de São Paulo para modernizar os equipamentos. A proposta autoriza o futuro concessionário a explorar comercialmente os aparelhos, com placas com o logo de empresas. O governo ainda ressalta que "muitos relógios são desligados por danos nas redes aéreas de energia, geralmente produzidos por caminhões com cargas com altura superior à permitida".
Precários
19 relógios de rua deixaram de funcionar e não foram repostos desde fevereiro de 2010. A maior parte foi danificada em colisão de veículos ou foi roubada em ações de vandalismo. 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Lideranças adiam votação do projeto de terceirização do mobiliário urbano

Apesar da expectativa, as lideranças do governo na Câmara Municipal de São Paulo decidiram adiar a votação do Projeto de Lei que concede à iniciativa privada a manutenção e exploração comercial do mobiliário urbano da capital paulista.

Com a decisão, o Projeto de Lei 47/2010 deve passar por novas audiências públicas na Casa antes de ser submetido ao plenário. O líder do governo, vereador Roberto Trípoli (PV), afirma que o Executivo entendeu que a proposta não estava suficientemente clara para a população. Segundo ele, o projeto não é prioridade da administração municipal e, portanto, pode aguardar mais um período de discussão antes de ser submetido ao plenário.

“O governo que discutir mais e quer saber da população e das pessoas que gostam de São Paulo o que eles acham do projeto. Não queremos cair no erro do Cidade Limpa, que só as empresas que eram atingidas lotavam o plenário para pressionar contra a proposta”, argumenta Trípoli.

Questionado sobre a lentidão na tramitação, Trípoli disse que há espaço para mais audiências públicas.“Se o parlamento entender que é preciso fazer dez audiências, nós faremos sem pressa ou afobamento. A prioridade do governo Kassab não é esse projeto, como quer crer a mídia. A prioridade é aumento do funcionalismo, o aumento de cargos de professores e os projetos da saúde”, disse o vereador do PV.

Para o vereador Cláudio Fonseca (PPS), a proposta apresentada pelo governo ainda tem falhas muito grandes que precisam ser corrigidas. A ausência de definição sobre o modelo de abrigos e totens que serão mantidos pelas empresas concessionárias. “O projeto precisa dizer se os abrigos de ônibus vão ter a parte de traz fechada ou aberta, se o teto será de vidro ou acrílico, se as laterais serão fechadas ou abertas, ou se os pontos terão bancos ou não. Nada disso consta na proposta apresentada pela prefeitura”, disse o vereador do PPS.

Apesar de lamentar a demora, Fonseca acredita que o projeto não está pronto para votação no plenário. Ele disse, contudo, que a prefeitura não precisa da aprovação do PL 47/2010 para garantir a manutenção e instalação de novos pontos de ônibus cobertos e higienizados. “É um escândalo que uma cidade como São Paulo dependa de contratos de publicidade para colocar abrigo em ponto de ônibus. A prefeitura deveria exigir das concessionárias de transporte diretamente a manutenção dos abrigos, pontos e totens”, disse Cláudio Fonseca.

O vereador Paulo Frange (PTB), presidente da Comissão Permanente de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente da Câmara, disse que o adiamento da votação nesta terça garantirá mais tempo para que os paulistanos entendam que o PL não vai descaracterizar a Lei Cidade Limpa. “Nós estamos planejando a exploração dos pontos dentro de critérios de utilização racional, considerando as contrapartidas para o município e a utilidade daquilo que será oferecido”, declarou Frange.

O Projeto de Lei
O projeto, em discussão há um ano, prevê que relógios eletrônicos digitais de tempo, temperatura, qualidade do ar, abrigos de ponto de ônibus e totens indicativos de paradas tenham anúncios publicitários.

Hoje a cidade de São Paulo tem 314 relógios e 14 mil paradas de ônibus, sendo que apenas 5 mil têm abrigos. De acordo com o novo secretário de Infraestrutura Urbana e Obras do município, Elton Santa Fé Zacarias, os gastos para manutenção destes locais são altos e a prefeitura não tem condições de arcar com eles.

O dinheiro arrecadado caso o projeto seja aprovado será aplicados pela EMURB ou pela SP-Obras na implantação, manutenção e melhoria de elementos do mobiliário urbano, conforme determina o projeto.

Segundo o vereador do PPS, Cláudio Fonseca, o valor que a prefeitura deve arrecadar com essas concessões é de cerca de R$ 200 milhões por ano, chegando a R$2 bilhões nos 20 anos de duração das concessões.

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