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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Política e Reforma Política

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

No início do século XX, o dramaturgo alemão Bertold Brecht cunhou uma manifestação que se tornou célebre pela sua contundência:“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não sabe o custo de vida, preço do feijão, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, depende de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

Se merecedora de respeito ou desprezo, se atrativa ou desinteressante, o certo é que se tornou impossível ignorar a política enquanto engrenagem de qualquer Estado minimamente organizado. Afinal, é na área do que se costuma chamar de Governo que são decididos os destinos do País, do Estado e do Município relativamente às condições de vida da população em geral, não obstante o desprezo que esta manifesta pela classe parlamentar ou pelos parlamentos, conforme apontam as pesquisas de opinião. Todavia, os eleitores são muito poderosos – embora não percebam – e podem – devem – alterar o quadro.

Neste país eivado de contrastes e contradições que a um lado incorporou o jeitinho como forma de conduta e a outro banaliza os escândalos que maculam a integridade de instituições republicanas, atingiu-se a plenitude quanto ao ato do voto. Afinal, neste Brasil de aeroportos precários e de um sistema público aviltante, há eleições periódicas, regulares e secretas para todos os cargos eletivos. Contudo, há que se ter presente que uma democracia ideal, onde predominaria a harmonia absoluta entre tudo e todos, existe apenas numa concepção intelectual e não como realidade concreta. Por outra, sem política não se executa a Democracia. E se não elimina os conflitos sociais, esta fórmula que prioriza a maioria como solução de disputas oferece alternativas para solucioná-los, ainda que falhas ou imperfeitas.

Daí porque a necessidade absoluta de uma Reforma Política no país. Mas uma reforma possível, coerente e direcionada ao que realmente faz diferença numa eleição e na representação junto aos Legislativos e Executivos. Nada de delírios mirabolantes e teses que ninguém compreende.

Leitores e eleitores convergem numa compreensão básica: não há mais possibilidade de contornar temas aflitivos que despertam indignação na sociedade e na própria classe política. Neste cenário, a sucessão de Comissões e adiamentos impulsiona uma sensação de que o desfecho pretendido jamais será alcançado. Se por um ângulo a constante exposição da matéria converteu a Reforma numa espécie de redenção ética de cunho salvacionista, a outro é leviano supor que a sua aprovação funcionará como um antídoto capaz de eliminar todas as mazelas políticas que vicejam no país.

De acordo com estudos e análises de pesquisadores e juristas, inclusive estrangeiros, o eixo sobre o qual gravita o sistema partidário–eleitoral vigente está superado e se revela anacrônico a ponto de causar deformações na própria representação popular, especialmente na distribuição das cadeiras do Congresso Nacional. Diante deste quadro neurótico mas consentido por todos os setores, a cada legislatura, um contingente de respeitáveis e respeitados parlamentares se mobiliza visando modificar o sistema da representação popular no Congresso Nacional.

Não é de hoje e muito menos apenas no Brasil que se constata uma apatia política. Escândalos e mazelas não têm geografia, ocorrem em todos os continentes. Entretanto, a Reforma Politica é uma exigência em nome e em função da democracia brasileira.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Pilares da Câmara Municipal de São Paulo


Chama a atenção de quem passa pela rua Santo Amaro - desde 1969, ano da inauguração da Câmara Municipal de São Paulo - um conjunto de quatro pilares com  ferro enferrujado onde seria erguido o segundo prédio da Casa. 

O quadradão já foi sede do Batalhão da Polícia Militar e atualmente abriga a Base da Guarda Civil Metropolitana.

Estudo de projeto para aumentar o Palácio Anchieta, incluindo projeto original do edifício vai custar R$ 2 milhões. 

O edifício - garagem, na Praça da Bandeira, será ampliado (R$ 11 milhões).

O Diário Oficial em de 5 de janeiro noticiou a abertura dos procedimentos licitatórios também para prestação de serviços de comunicação e publicidade da Casa (R$8,milhões).

O que chama a atenção mesmo na Câmara dos Vereadores é o circo, extensão da Casa, na rua Santo Antonio. No local funciona um restaurante - escola. Muitos confundem o circo como casa de espetáculo.

É comum pessoas passarem em frente e perguntarem qual  a programação da semana ou se lá vai artista.

Enfim, a Câmara será reformada e aumentada de 13  para 16 andares .


Texto e fotos: Devanir Amâncio da ONG Educa SP

segunda-feira, 14 de março de 2011

Reforma convincente: menos deputado, sem suplente …


Por Antônio Augusto Mayer dos Santos
Não há mais possibilidade de contornar temas aflitivos que despertam indignação na própria “classe política”, além da sociedade. A sucessão de Comissões e adiamentos impulsiona uma sensação de que o desfecho pretendido jamais será alcançado. Se por um ângulo a constante exposição da matéria converteu a Reforma Política numa espécie de redenção ética de cunho salvacionista, a outro é leviano supor que a sua aprovação funcionará como um antídoto capaz de eliminar todas as mazelas políticas que vicejam no país.
Preocupante, no entanto, é a dualidade de Comissões a tratar do mesmo assunto. Câmara e Senado formaram grupos autônomos para debater a Reforma Política que todos difundem. Neste momento, sem algo novo, por conta da insuperável divergência entre parlamentares e blocos em alguns pontos, não se crê em modificação alguma a partir do proposto por ambas as Casas do Congresso. A oportunidade é de convergência e não de hegemonia entre as Casas do Congresso.
De rigor, para ser convincente, uma outra reforma deve brotar e se impor. Algo possível, dotado de razoabilidade. Chega de miopia e pirotecnia. É essencial que prevaleça lucidez na delimitação de temas que possam dar vitalidade à política como atividade pública respeitável. Lista fechada, voto distrital e financiamento público são temas importantes mas demasiadamente complexos para este momento-limite. Outras questões mais factíveis e nem por isso menos decisivas, todas com projetos formulados e tramitando, se credenciam como viáveis para atenuar os níveis de saturação que o sistema eleitoral e de representação manifestam.
Ampliação das atribuições de deputados estaduais e vereadores – A administração pública é compartilhada, em todas suas esferas. Não é razoável que iniciativas parlamentares sejam restringidas sob a alegação de interferência no Executivo. Projetos relevantes não podem ser repelidos por sua origem. Parlamentos são polpas vivas das comunidades e merecem real autonomia.
Eliminação do quociente eleitoral – A representação popular sofre desvirtuamento quando um candidato ao Legislativo, seja qual for este, amparado em votação retumbante, é preterido por outro de desempenho inferior. Conforme a PEC 54/07, os eleitores, além de não entenderem, desconfiam de um sistema eleitoral que admite a eleição de candidatos com pouca votação. O eleitorado brasileiro passou dos 2/3 da população e um sistema introduzido em 1932 já não se sustenta mais frente esta outra realidade.
Suplentes no recesso – Porque contrasta à realidade e ao bom senso, a efetivação de substitutos nos períodos de recesso é descartável vez que, na prática, sua finalidade se revela contraproducente. O parlamentar fica impossibilitado de apresentar projetos, participar de sessões, as Comissões não se reúnem. Esta anomalia desacredita o Parlamento perante o eleitor.
Transições pós-eleitorais – A PEC 60/2004, de autoria do ex-senador gaúcho Sérgio Zambiasi, preserva a continuidade administrativa e os serviços públicos, impedindo que mesquinharias paroquiais ou intrigas eleitoreiras desviem a finalidade e a rotina das instituições públicas em prejuízo do contribuinte. Tal como já ocorre no modelo federal, é preciso disciplinar uma relação organizada de responsabilidade entre o governante e o seu sucessor nos níveis estaduais e municipais.
Redução da Câmara dos Deputados – Inoperância pelo excesso de parlamentares, elevado custo público, sucessões de escândalos, apresentação de projetos inúteis ou bizarros, produção legislativa escassa ou irrelevante. É a indisfarçável ineficiência de uma estrutura acrítica justificando a sua diminuição.
Extinção dos suplentes de senador – Injustificável. Preenchida de forma indireta e confinada à homologação de nomes indicados por partidos ou coligações, a suplência, além de impopular, é destituída de respaldo pelo eleitor e vulnera a soberania popular que chancela as eleições para os demais cargos.
Redução do mandato dos senadores – A demasiada extensão do mandato senatorial (oito anos), a par de anacrônica e sem justificativa plausível, é fator impeditivo à renovação e fiscalização da Casa Legislativa e de seus membros. O cargo de Senador é relevante por suas atribuições e não pela sua duração.
“Janela” partidária – Não adianta impregnar o tema de ranço, generalizações e preconceitos. Uma troca de partido no curso do mandato não pode ser vedada de forma artificial e tampouco rotulada de injustificável. É imperativo atenuar o rigorismo vigente, decorrente de uma regra estabelecida pelo TSE e não pelo Congresso Nacional. No seio das agremiações ocorrem fatos que tornam a coexistência insuportável. O que deve ser reprimido são malícias e dissimulações.
Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Assembleia gastará mais R$ 21,2 milhões em nova reforma

Em 2009, Casa concluiu construção de anexo para deputados ao custo de R$ 29,2 milhões, obra sob suspeita de irregularidades


Fábio Leite, do Jornal da Tarde, e Roberto Almeida, de O Estado de S. Paulo


Após a polêmica construção de um anexo para acomodar parte dos parlamentares, concluída em 2009 ao custo de R$ 29,2 milhões, sob suspeita de irregularidades, a Assembleia Legislativa de São Paulo passará por mais uma ampla reforma. A Casa assinou nove contratos para obras e inspeções do Palácio 9 de Julho no valor de R$ 21,2 milhões.
A principal e mais vultosa obra é a de "modernização" do Hall Monumental e dos acessos do edifício, que custará R$ 6,4 milhões. A Assembleia também pretende implantar um novo projeto de sinalização das áreas externas e internas do edifício "à luz das normas da ABNT" ao custo de R$ 4,62 milhões.
Entre os demais contratos, estão programadas "modificações, readequações e outras intervenções" no sistema de iluminação da fachada do palácio, ao custo de R$ 2,828 milhões, a instalação de um sistema de som por R$ 1,92 milhão e a implantação de cancelas por R$ 470 mil.
Há, ainda, um contrato para "serviços de inspeção e pronto restabelecimento das condições de uso do Palácio 9 de Julho", no valor de R$ 2,9 milhões. E outro para instalações elétricas ao custo de R$ 1,875 milhão.
Uma das obras com valor abaixo da casa dos milhões é a reforma do parlatório, onde o governador Geraldo Alckmin (PSDB) discursou ao tomar posse, no dia 1.º de janeiro. O contrato é de R$ 119 mil.
A Casa contratou ainda a Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS), por R$ 72 mil, para que a estatal prepare licitação para obra de "adaptação e modernização da ala parlamentar" do prédio antigo. Trata-se da reforma que vai integrar os gabinetes ociosos após a saída de metade dos deputados para o prédio anexo.
‘Modernizar’. A "modernização" do Hall Monumental será tocada pela Construtora Progredior Ltda. O contrato foi assinado no dia 23 de dezembro do ano passado. O hall é a área de entrada de parlamentares e autoridades no edifício. Alckmin passou por ali, em tapete vermelho, quando foi diplomado e tomou posse no início do ano. O salão também é reservado para eventos e cerimônias.
As obras no sistema de iluminação do palácio, com contrato assinado também no dia 23 de dezembro, já estão em andamento. A contratada é a JRA Empreendimentos e Engenharia.
Os serviços de instalações elétricas serão tocados pela Empreitec Construções Elétricas e os de montagem de som pela Construtora Cronacon - a mesma que reforma por R$ 18,9 milhões o prédio da Secretaria Estadual de Planejamento, no Itaim.
Procurada desde terça-feira para explicar os investimentos, a assessoria da Assembleia não se pronunciou até o fechamento desta edição. A construção do anexo continua sob investigação sigilosa do Ministério Público.

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