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quinta-feira, 28 de junho de 2012

São Paulo quer proibir distribuição de refeição a moradores de rua


A Prefeitura de São Paulo pretende proibir a distribuição de refeições nas ruas da cidade feita por 48 entidades assistenciais. A medida foi anunciada no último dia 20 pelo secretário de Segurança Urbana, Edsom Ortega.

Segundo o secretário, a intenção é fazer com que as entidades entreguem as refeições nos abrigos e, assim, atrair os moradores de rua para esses locais, que chegam a ter 2.800 vagas ociosas em alguns períodos do ano.

A ação deve ser concluída em cerca de 30 dias. A secretaria afirma que convidou 48 entidades que prestam esse tipo de assistência a participar da reunião onde foi informada a medida, mas apenas seis compareceram.

Kaká Ferreira, presidente de uma das entidades, o grupo Anjos da Noite, afirmou que não recebeu nenhum convite para discutir o assunto tampouco qualquer orientação após a decisão divulgada pelo secretário.

Na reunião, Ortega afirmou que quem não cumprir a medida sofrerá consequências. "Os que insistirem serão enquadrados administrativamente e criminalmente", disse. Procurada, a secretaria não especificou por quais acusações as entidades e pessoas que ignorarem a proibição deverão responder.

Ferreira disse que o grupo não deixará de distribuir as 800 refeições semanais nem que seja preciso entrar com uma liminar na Justiça. "Se dar comida para quem precisa é crime, o que eles fazem lá na prefeitura eu não sei o que é", disse.

RECUO

Em nota divulgada na tarde desta quinta-feira, a prefeitura recuou e disse que "não cogita proibir a distribuição de alimentos por ONGs na região central", mas que existe uma "proposta de que as entidades ocupem espaços públicos destinados para o atendimento às pessoas em situação de rua, como as tendas instaladas pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social".

A nota ainda afirma que a "união das ações das ONGs com as dos agentes sociais tem potencial para tornar ainda mais eficazes as políticas de reinserção social". A prefeitura não comentou as declarações do secretário Ortega.

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Justiça de SP suspende mais uma vez o projeto Nova Luz


A Justiça parou novamente o projeto Nova Luz em São Paulo. Dessa vez, a liminar (decisão provisória) da 6ª Vara da Fazenda Pública obrigada a prefeitura a interromper o edital de privatização para o projeto. A ação foi movida pela Defensoria Pública.

Na decisão do dia 6 de junho, o juiz afirma que os moradores e comerciantes da região não foram consultados para a deliberação tomada pelo conselho gestor das ZEIs (Zonas Especiais de Interesse Social).

O projeto da prefeitura prevê a desapropriação e a transformação, pela iniciativa privada, de 45 quadras na área central de São Paulo, que incluem parte das lojas da Santa Ifigênia. As empresas que investirem nas obras poderão lucrar com a venda posterior dos imóveis.

O Conselho Gestor das Zeis é formado por oito membros da prefeitura e oito membros da sociedade civil (moradores, comerciantes e integrantes de movimentos sociais). Para a prefeitura, esse órgão garante a democracia. Para os comerciantes e moradores, porém, não existe voz real para os membros da sociedade civil.

Procurada pela Folha, a Prefeitura de São Paulo disse que ainda não foi informada oficialmente da decisão da Justiça.

PARADO

No início deste ano, a Justiça deixou o projeto Nova Luz suspenso por cerca de 20 dias. A ação, movida por um morador, alegava que o projeto não teve participação popular.

Em decisão anterior, em abril do ano passado, o TJ acatou o pedido de liminar impetrada pela Associação dos Comerciantes da Santa Ifigênia, que suspendia o projeto. À época a prefeitura recorreu e a liminar foi suspensa.

Em dezembro, o projeto voltou a ser parado, junto com outros que aguardavam licença ambiental. O Órgão Especial do TJ ainda deve julgar outra ação sobre o mesmo projeto.

Fonte: Folha.com

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

'Eu não sou bandido', diz vereador de SP Netinho de Paula

DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO


Em discurso no plenário da Câmara Municipal, o vereador Netinho de Paula (PCdoB) disse nesta quinta-feira que não é "bandido" e que será prefeito de São Paulo "quer queiram, quer não queiram".

"Eu não sou bandido. Eu vou ser prefeito dessa cidade, quer queiram, quer não queiram", afirmou.

Netinho apresentou aos colegas defesa sobre reportagem da Folha que revelou que ele usou empresas com endereços fantasmas para justificar gastos de seu gabinete.

Silva Junior-5.out.10/Folhapress
Vereador Netinho de Paula durante coletiva em seu gabinete na Câmara; promotoria investiga uso de notas frias
Vereador Netinho de Paula (PCdoB) durante coletiva em seu gabinete; Promotoria investiga uso de notas frias

Ele pretende disputar a sucessão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) em 2012.

Depois de afirmar que será prefeito, Netinho mudou o tom e disse que será "candidato" ao cargo.

Aos vereadores, ele repetiu o argumento de que recibos de duas das empresas empresas citadas na reportagem não foram reembolsados porque a Câmara identificou as irregularidades.

"Se a empresa mudou de endereço, se não mudou, eles tem que verificar", disse.
As notas fiscais apresentadas por Netinho à Câmara são objeto de investigação no Ministério Público. A Promotoria apura se ele realmente aplicou a verba indenizatória em despesas ligadas ao mandato parlamentar.

À Folha o promotor que conduz o caso, Marcelo Daneluzzi, disse que solicitou à Câmara Municipal um levantamento de todos os reembolsos feitos a Netinho.

INVESTIGAÇÃO

Hoje Daneluzzi ouviu um representante da VNS, um dos alvos da investigação. Segundo ele, em depoimento, o representante da empresa disse ter firmado um contrato de locação de equipamentos com o gabinete de Netinho por 16 meses.

De acordo com o relato, teriam sido alugados quatro computadores, duas impressoras, um retroprojetor e uma tela para projeção por R$ 70 mil.

Daneluzzi espera uma cópia do contrato. Questionado sobre a investigação, disse que "foge da normalidade que o vereador tenha contratado quatro empresas sendo que todas elas não estão estabelecidas no local indicado pelo contrato social".

Da Folha.com

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