Mostrando postagens com marcador Maluf. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maluf. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Haddad diz que é degradante ser ligado a Dirceu e Delúbio


DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO

A campanha de Fernando Haddad (PT), candidato à Prefeitura de São Paulo, declarou à Justiça Eleitoral ser "manifestamente degradante" para ele ser associado aos colegas de partido José Dirceu e Delúbio Soares e ao deputado federal Paulo Maluf (PP), que integra sua chapa.
Danilo Verpa/Folhapress
O candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT)
O candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT)
Dirceu e Delúbio encabeçam a lista de réus políticos do processo do mensalão. Maluf responde a ações por desvio de recursos públicos.

A declaração foi feita para justificar ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) um pedido para que a corte proibisse a exibição de uma propaganda produzida pela campanha de José Serra (PSDB), seu rival.

A peça tucana vincula o petista aos três personagens.

Nela, Haddad aparece ao lado de fotos de Dirceu, Delúbio e Maluf. "Sabe o que acontece quando você vota no PT? Você vota, ele volta", repete o narrador a cada personagem exibido.

"A publicidade é manifestamente degradante porque promove uma indevida associação entre Fernando Haddad e pessoas envolvidas em processos criminais e ações de improbidade administrativa", afirmam os advogados do petista, Hélio Silveira e Marcelo Andrade.

Na ação, a campanha ressalta que Haddad não é réu do mensalão.

"Haddad não é réu naquela ação penal originária do Supremo. (...) Não pode por isso ter sua imagem conspurcada por episódios que são totalmente estranhos à sua esfera de responsabilidade."

O texto diz ainda que "sempre que teve poder de nomeação", quando era ministro, Haddad "nunca nomeou Delúbio, Maluf ou Dirceu".

"Se tais pessoas jamais foram nomeadas por Fernando Haddad, o que sobra então a intenção dessa propaganda? Sobra a intenção de degradar através da associação da imagem do candidato às pessoas que surgem na tela."

Os advogados de Haddad indagam se "seria correto" "pela simples razão da coincidência de filiações partidárias" transportar para José Serra a "carga pejorativa que existe em torno do nome de Marconi Perillo", em referência a suspeitas que ligam o nome do governador tucano de Goiás ao escândalo envolvendo Carlos Cachoeira.

A Justiça negou o pedido do PT. O juiz Manoel Luiz Ribeiro afirma que "não se há que falar em degradação e ridicularização quando se estabelece a ligação entre o candidato e outros filiados a seu partido ou a partido coligado, ligação esta de conhecimento público e notório".

"Da mesma forma que um candidato pode ser beneficiado pelo apoio de correligionários bem avaliados pela população, pode ele ser prejudicado pela associação feita a políticos não tão bem avaliados", conclui o juiz.

Os principais fiadores da campanha de Haddad são o ex-presidente Lula, a presidente Dilma Rousseff e a ex-prefeita Marta Suplicy.

Procurado, o advogado de Haddad, Hélio Silveira, disse que, "de maneira alguma" tratou como degradantes os personagens citados na ação.

"Degradante é a forma feita pela campanha de Serra, o modo como ele usou as imagens para vincular Haddad ao processo do mensalão e outras denúncias", afirmou.

Ontem, na tentativa de atacar Serra e se defender da associação ao mensalão, Haddad, disse que "sabe montar equipe" porque nenhum colaborador de sua gestão no Ministério da Educação responde a processos.

"Meus colaboradores, ao contrário dos dele [Serra], não estão respondendo a processo de improbidade", disse, se referindo a ações contra secretários de Gilberto Kassab, sucessor do tucano.

Matéria publicada originalmente no Jornal Folha de S.Paulo

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

'Igreja Universal não deu um real à minha campanha', diz Celso Russomanno

Em entrevista à CBN, o candidato do PRB à prefeitura de São Paulo afirma ainda que relação com Maluf é 'página virada na Justiça', alfineta Haddad por aliança com o PP e declara que toparia fazer 'recall de si mesmo'.



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Verba para partido de Maluf cresceu após aliança com PT

BRENO COSTA
DE BRASÍLIA

O apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo coincidiu com uma disparada na destinação de verbas federais para obras e projetos apadrinhados por parlamentares do partido.

Em um quadro atípico, o PP do ex-prefeito Paulo Maluf foi, desde o dia 1º de junho, o segundo partido mais beneficiado pelo governo no atendimento das emendas parlamentares, mostra levantamento da Folha.

As emendas são o mecanismo pelo qual os congressistas inserem obras e projetos no Orçamento.

O mês de junho marcou a reta final da definição das alianças para as eleições municipais de outubro.

Quinta maior bancada no Congresso, o PP ficou à frente do PT e só atrás do PMDB --donos das maiores bancadas no Congresso.

A eleição de Haddad em São Paulo é vista como principal objetivo eleitoral do PT, maior partido de sustentação do governo federal.

Polêmica, a aliança com Maluf garantiu ao petista, neófito em eleições e em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, equilíbrio em relação a seu principal adversário, José Serra
(PSDB), no tempo da propaganda de rádio e TV.

A partir de 14 de junho, data em que Paulo Maluf passou a considerar publicamente a possibilidade de apoiar Haddad em vez de Serra, a liberação de emendas para o PP quintuplicou.

Até aquela data, a liberação acumulada desde janeiro era de R$ 7,2 milhões. De um mês para cá, foram mais R$ 36,6 milhões para emendas do partido.

O levantamento foi feito com base nas 20 ações de governo que mais concentram emendas.

Editoria de arte/Folhapress
MOEDA DE TROCA Verbas para emendas do PP crescem após aliança com Haddad em SP
MOEDA DE TROCA Verbas para emendas do PP crescem após aliança com Haddad em SP

Um dos principais aliados de Maluf em São Paulo, o deputado federal José Olímpio foi o segundo mais beneficiado entre os pepistas, obtendo R$ 4,2 milhões para ações apoiadas por ele.

Outro parlamentar do PP paulista beneficiado foi Beto Mansur, ex-prefeito de Santos e que tem Maluf como seu padrinho dentro do partido.

A aliança do PT com o PP em São Paulo foi celebrada na casa de Maluf no dia 18 de junho, com a presença de Haddad e do ex-presidente Lula, que posaram para fotos.

Na ocasião, o governo entregou um posto-chave do Ministério das Cidades a um afilhado do ex-prefeito.

O ritmo de liberações de emendas indica também que, além do salto nas verbas para o PP, a ex-prefeita e hoje senadora Marta Suplicy (PT) foi a terceira mais agraciada entre 174 parlamentares que foram contemplados no período, com R$ 5,6 milhões.

Marta, que pretendia ser a candidata petista em São Paulo, tem resistido a entrar na campanha de Haddad.

OUTRO LADO

A Secretaria de Relações Institucionais, órgão da Presidência responsável por receber e negociar demandas de congressistas, não explicou os critérios usados em relação ao PP e a Marta.

Em nota, a assessoria da ministra Ideli Salvatti afirma apenas que o governo "atendeu solicitações de parlamentares de todas as bancadas" e que se esforçou para realizar os empenhos até a data permitida pela Lei Eleitoral.

Matéria publicada originalmente na Folha de S.Paulo

terça-feira, 19 de junho de 2012

Seu maior inimigo hoje poderá ser seu maior amigo amanhã, ou vice-versa.

Maluf (à dir.) com Haddad e Lula em sua casa em evento para selar aliança com PT
 Rodrigo Coca/Fotoarena/Folhapress
Em ato em que formalizou o apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) negou nesta segunda-feira relação da aliança com a nomeação de um indicado seu no Ministério das Cidades. 

Leia a matéria completa na Folha.com


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Eskolinha do Professor Kassab

Na didática do prefeito, a nota é 10 tanto para implosões mal resolvidas quanto para mandatos de promessas não cumpridas
Sírio Possenti - O Estado de S.Paulo

Kassab é um dos fenômenos mais intrigantes das últimas safras de políticos. Se não gastasse um dos maiores orçamentos do País, passaria despercebido. Consta que é bom na movimentação de bastidores. Antes de ser vice de Serra na Prefeitura de São Paulo, certamente o maior troféu "movimentação nos bastidores" dos últimos tempos, ninguém, exceto poucos parceiros, sabia dele.
O prédio implodiu só em parte, mas o verdadeiro objetivo da operação era 'liberar o trânsito' - JB Neto/AE
JB Neto/AE
O prédio implodiu só em parte, mas o verdadeiro objetivo da operação era 'liberar o trânsito'
Com a decisão de Serra de candidatar-se ao governo do Estado, assumiu a Prefeitura e, pouco depois, foi reeleito. Tornou-se conhecido do público basicamente por duas ações. A primeira foi a lei das placas, que tirou muita publicidade das ruas (mostrou belezas escondidas e revelou feiuras e fachadas desgastadas). A segunda foi a gritaria dirigida a um cidadão que reclamou durante a inauguração de um hospital e foi objeto de incrível destempero. Os gritos desvairados de "Fooora, vagabundo!" chamaram a atenção. Prepotência? Descontrole?
Tendo tudo para passar despercebido, tornou-se notório por uma característica peculiar. Parece falar de um lugar vazio, violando regras discursivas elementares. Disse "falar de um lugar vazio" e me ocorreu uma associação. Não estava em meus planos, mas (Freud explica) lembrei os kassabinhos, bonecos essenciais em sua campanha para a Prefeitura, que o elegeram. Cheios de vento, isto é, de nada. Autorretrato?
Para traduzir a personagem, exceto pelo único destempero, nada mais adequado que sua voz neutra, monocórdia, funcionando no automático, indiferente aos fatos, às fotos, à realidade, como na última semana.
No quesito, é um seguidor de Paulo Maluf (guardadas as proporções, sempre), que se tornou célebre também por violar regras pragmáticas. Se fizessem a Maluf, em entrevista ou debate eleitoral, alguma pergunta incômoda, baseada no noticiário, respondia falando de outra coisa. Desconhecia a pergunta, a mais grosseira das formas de lidar com o interlocutor.
Mas Maluf, ao contrário de Kassab, era, às vezes (quando ninguém o seria), de uma explicitude brutal: "Se tem vontade sexual, estupra, mas não mata!"
O Kassab que conhecemos parece ter sido sincero apenas na interpelação ao fabricante de placas. Suas declarações são as mais escorregadias que um político pode produzir. Sua frase mais histórica, se pode haver gradações nesse campo, é sobre a identidade do partido que fundou, cuja sigla foi antigamente o símbolo (o simulacro) da indecisão, o PSD: "Não é direita, nem esquerda, nem centro". Depois declarou que será de centro e independente. Nem mesmo a decisão de ser indeciso foi mantida!
Nos últimos dias, Kassab voltou à notoriedade. Não produziu declaração memorável, dessas que se debatem e são candidatas a verdades. Foram de novo declarações típicas dos que o povo chama de cara de pau. Sobre a implosão de um prédio que implodiu só em parte, disse e repetiu que a operação foi um sucesso, que o objetivo era liberar trânsito e não derrubar o velho moinho, que os que acham que a operação fracassou deveriam voltar para os bancos escolares... de engenharia.
Atribuiu nota 10 tanto à implosão quanto a seu mandato. Impávido, sempre imodesto, sua nota é sempre 10 (o eleitor parece discordar, mas ele não está nem aí). Assim como defende que uma implosão possa não derrubar toda a edificação, acha que um mandato não precisa cumprir todas as promessas. No negócio de dar notas, angariaria alunos: ganhariam 10 provas feitas pela metade ou com diversas respostas erradas na eskolinha do Professor Kassab.
A humanidade não é muito brilhante. Cria expectativas rotineiras, baseadas nas práticas: implosão é para derrubar todo o edifício, prédio ou estádio; promessa é para ser cumprida, mesmo a política. Kassab revoga essas leis, discípulo do cínico Maluf. Sem personalidade, no sentido corrente (a falta de personalidade não deixa de ser uma, como não fazer política é, paradoxalmente, uma forma de fazê-la), sem voz marcante, sem nenhuma frase "para cima" que mereça ser repetida, nem mesmo uma engraçada, como as do Tiririca, é espantoso que ocupe o espaço político que ocupa, especialmente na era da exposição midiática.
Maluf se notabilizou por fatos e frases, mas uma de suas máscaras mais notórias era a do cara de pau que desconsiderava a fala dos interlocutores: se lhe faziam perguntas sobre corrupção, falava das virtudes da mãe; se perguntavam sobre preços de obras, enumerava as que tinham sua marca. Era um exemplo chapado para teorias pragmáticas e para sua principal regra: se alguém não fala do tema proposto, é porque não quer ou não pode tratar dele; se não pode responder é porque a resposta condenaria. É assim em qualquer inquérito. Daí a regra jurídica segundo a qual ninguém é obrigado a se culpar. O júri não pode considerar, mas qualquer falante sabe o que isso significa: se o réu silencia, o silêncio o condena.
A "regra" de Maluf o denunciava. Kassab segue outro desvio: em vez de falar de outra coisa, declara, quebrando outra regra (elogio em boca própria é vitupério), que tudo o que faz é 10. Mesmo contra as evidências.
Os diversos sentidos de "cínico", exceto filosófico, caracterizam as falas de Kassab. O estilo é o homem?  
SÍRIO POSSENTI É PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE LINGUÍSTICA/INSTITUTO DE ESTUDOS DA, LINGUAGEM DA UNICAMP, AUTOR DE QUESTÕES, PARA ANALISTAS DE DISCURSO (PARÁBOLA)

Fonte: Estadão.com.br

Postagens populares